"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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23/03/2020
“Nós nos gloriamos nas tribulações”. Como viver a fé quando o culto público é proibido.
 

“Nós nos gloriamos nas tribulações”. Como viver a fé quando o culto público é proibido.

19 de março de 2020

“Nós nos gloriamos nas tribulações” (Rom. 5:3)

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Por  Dom Athanasius Schneider -  Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com

Milhões de católicos no chamado mundo livre ocidental – nas próximas semanas ou até meses, especialmente durante a Semana Santa e a Páscoa, ponto culminante de todo o ano litúrgico – serão privados de quaisquer atos públicos de culto, devido à reação civil e eclesiástica ao surto do coronavírus (COVID-19). O mais doloroso e angustiante para eles é a privação da Santa Missa e da Sagrada Comunhão sacramental.

A atual atmosfera de um pânico quase planetário é continuamente alimentada pelo “dogma” universalmente proclamado da nova pandemia de coronavírus. As medidas de segurança drásticas e desproporcionais, com a negação dos direitos humanos fundamentais de liberdade de movimento, liberdade de reunião e liberdade de opinião, aparecem quase globalmente, orquestradas segundo um plano preciso. Assim, toda a humanidade se torna uma espécie de prisioneira de uma “ditadura sanitária” mundial que, por sua vez, também se revela como uma ditadura política.

Um efeito colateral importante dessa nova “ditadura sanitária” que está se disseminando por todo o mundo é a crescente e intransigente proibição de todas as formas de culto público. A partir de 16 de março de 2020, o governo alemão proibiu todas as formas de reuniões religiosas públicas para todos os credos. Uma medida tão drástica como essa teria sido inimaginável mesmo durante o Terceiro Reich.

Antes de tais medidas serem tomadas na Alemanha, uma proibição de qualquer culto público foi ordenada pelo governo italiano e aplicada em Roma, coração do catolicismo e do cristianismo, bem como em toda a Itália. A presente situação de proibição do culto público em Roma coloca a Igreja de volta ao tempo de análoga proibição feita pelos imperadores romanos pagãos nos primeiros séculos.

Clérigos que ousarem celebrar a Santa Missa na presença dos fiéis, nas atuais circunstâncias poderão ser punidos ou presos. A “ditadura sanitária” mundial criou uma situação que respira o ar das catacumbas, de uma Igreja perseguida, de uma Igreja subterrânea, especialmente em Roma.

O Papa Francisco – que no dia 15 de março caminhou com passos solitários e trêmulos pelas ruas desertas de Roma, em sua peregrinação desde o ícone da “Salus Populi Romani”, na igreja de Santa Maria Maggiore, até a Cruz Milagrosa na igreja de San Marcello – transmitiu uma imagem apocalíptica. Era uma reminiscência da seguinte descrição da terceira parte do Segredo de Fátima, feita pela Irmã Lúcia em sua “Quarta Memória”, em 1944: “O Santo Padre atravessou uma grande cidade meio em ruínas, e meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena”.

Como os católicos devem reagir e se comportar em tal situação? Devemos aceitá-la como oriunda das mãos da Divina Providência, como uma provação, a qual nos trará um benefício espiritual maior do que se não a tivéssemos experimentado. Pode-se entender essa situação como uma intervenção divina na atual crise sem precedentes da Igreja. Deus se utiliza agora do mundo impiedoso da “ditadura sanitária” para purificar a Igreja, para despertar os responsáveis ​​na Igreja – em primeiro lugar o Papa e o Episcopado – da ilusão de um belo mundo moderno, da tentação de flertar com o mundo, da imersão nas coisas temporais e terrenas. Os poderes deste mundo agora separaram à força os fiéis de seus pastores, que são obrigados por seus governos a celebrar a liturgia sem o povo.

Essa intervenção divina purificadora tem o poder de mostrar a todos nós o que é verdadeiramente essencial na Igreja: o Sacrifício Eucarístico de Cristo com seu Corpo e Sangue, e a salvação eterna de almas imortais. Possam aqueles que se viram inesperada e subitamente privados do que é central na Igreja, começar a ver e apreciar mais profundamente o seu valor.

Apesar da dolorosa situação de se virem privados da Santa Missa e da Santa Comunhão, os católicos não devem ceder à frustração ou à melancolia. Eles devem aceitar essa provação como uma ocasião de graças abundantes, que a Providência Divina preparou para eles. Muitos católicos têm agora, de alguma forma, a ocasião de experimentar a situação das catacumbas, da Igreja subterrânea. É de se esperar que tal situação produza novos frutos espirituais de santidade e de confessores da fé.

Essa situação força as famílias católicas a viver literalmente o significado de uma igreja doméstica. Na impossibilidade de assistir à Santa Missa, mesmo aos domingos, os pais católicos deveriam reunir suas famílias em suas casas, onde poderiam assistir a uma Santa Missa transmitida pela televisão ou pela Internet, ou, se isso não for possível, dedicar uma hora santa de orações para santificar o Dia do Senhor e se unir espiritualmente às Missas Sagradas celebradas por padres a portas fechadas, em suas próprias cidades ou nas proximidades. Tal hora santa dominical de uma igreja doméstica poderia ser realizada, por exemplo, da seguinte maneira:

Recitação do Rosário, leitura do Evangelho dominical, Ato de Contrição, ato de Comunhão Espiritual, Ladainha, oração por todos os que sofrem e morrem, por todos os que são perseguidos, oração pelo Papa e pelos sacerdotes, oração pelo fim da atual epidemia física e espiritual. A família católica deveria também rezar as estações da Via Sacra às sextas-feiras da Quaresma. Além disso, aos domingos, os pais poderiam reunir seus filhos à tarde ou à noite para ler para eles as Vidas dos Santos, especialmente as histórias extraídas dos tempos de perseguição à Igreja. Tive o privilégio de ter vivido tal experiência na minha infância, e isso me deu o fundamento da fé católica por toda a minha vida.

Os católicos que estão privados de – por um curto período de semanas ou de meses, ainda não se sabe bem – assistir à Santa Missa e receber sacramentalmente a Comunhão, poderiam pensar naqueles tempos de perseguição, quando por anos a fio os fiéis não podiam assistir à Santa Missa nem receber outros sacramentos, como foi o caso, por exemplo, durante a perseguição comunista em muitos lugares do império soviético.

Que as seguintes palavras de Deus fortaleçam todos os católicos que atualmente sofrem por serem privados da Santa Missa e da Sagrada Comunhão:

“Não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que possais vos alegrar e exultar no dia em que for manifestada sua glória.” (1 Pedro 4: 12–13)

“O Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em todas as nossas aflições, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma atribulação com a mesma consolação com que somos consolados por Deus.” (2 Cor. 1: 3-4)

“Para que a provação da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, ainda que provada pelo fogo, redunde em louvor, honra e glória na revelação de Jesus Cristo” (1 Pedro 1: 6–7) .

No tempo de uma cruel perseguição à Igreja, São Cipriano de Cartago (+258) deu os seguintes ensinamentos edificantes sobre o valor da paciência:

“É a paciência que fortalece firmemente os fundamentos da nossa fé. É ela que eleva ao alto o aumento da nossa esperança. É ela que direciona nossas ações para que possamos nos apegar ao caminho de Cristo enquanto andamos pela sua paciência. Quão grande é o Senhor Jesus e quão grande é sua paciência, para que Aquele que é adorado no Céu ainda não seja vingado na Terra! Amados irmãos, consideremos sua paciência em nossas perseguições e sofrimentos; demos uma obediência cheia de expectativa ao seu advento.” (De Patientia, 20; 24)

Queremos rezar com toda confiança na Mãe da Igreja, invocando o poder intercessor de seu Imaculado Coração, para que a atual situação de privação da Santa Missa redunde em abundantes frutos espirituais para uma verdadeira renovação da Igreja, após décadas da noite de perseguição aos verdadeiros católicos, clérigos e fiéis, que ocorreu dentro da Igreja. Ouçamos as seguintes e inspiradoras palavras de São Cipriano:

“Se se reconhece a causa do desastre, logo se encontra um remédio para a ferida. O Senhor desejou que sua família fosse provada; e porque uma longa paz corrompeu a disciplina que nos foi divinamente entregue, a repreensão celestial despertou nossa fé, que estava cedendo, e eu quase disse, em letargo: apesar de merecermos mais por nossos pecados, o misericordiosíssimo Senhor de tal maneira moderou tudo, que aquilo que aconteceu parece ter sido mais uma provação do que uma perseguição.” (De lapsis, 5)

Queira Deus que esta breve prova de privação do culto público e da Santa Missa sirva para instilar no coração do Papa e dos bispos um novo zelo apostólico pelos tesouros espirituais perenes que lhes foram divinamente confiados, isto é: o zelo pela glória e honra de Deus; pela unicidade de Jesus Cristo e de seu sacrifício redentor; pela centralidade da Eucaristia e seu modo sagrado e sublime de celebração; pela maior glória do Corpo Eucarístico de Cristo; pela salvação das almas imortais; por um clero casto e apostólico. Ouçamos estas encorajadoras palavras de São Cipriano:

“Louvores sejam dados a Deus, cujos benefícios e dons devem ser celebrados com ações de graças, embora nossa voz não tenha cessado de agradecer nem em tempos de perseguição. Pois nenhum inimigo tem o suficiente poder para nos impedir, a nós que amamos o Senhor de todo o coração, vida e força, de declarar com glória suas bênçãos e louvores sempre e em toda parte. Chegou o dia sinceramente desejado pelas orações de todos; e após as trevas terríveis e perniciosas de uma longa noite, brilhou o mundo, irradiado pela luz do Senhor.” (De lapsis, 1)

19 de março de 2020

+ Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana, Cazaquistão.

Fonte:https://fratresinunum.com/2020/03/23/nos-nos-gloriamos-nas-tribulacoes-como-viver-a-fe-quando-o-culto-publico-e-proibido/

 
 
 

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