"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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11/10/2020
A triste história de Mons. Vincenzo Guo Xijin, abandonado pelo Vaticano
 

A triste história de Mons. Vincenzo Guo Xijin, abandonado pelo Vaticano

sábado, 10 de outubro de 2020

«Sou incompetente», «não tenho nenhuma capacidade», «não estou a par dos tempos», «não quero ser um obstáculo para o progresso»: assim explicou Mons. Vincenzo Guo Xijin, durante a sua última Missa pública, a decisão de renunciar a todos os cargos para se retirar para uma vida oculta e de oração.     

Uma história, a do Bispo Guo, que só pode ser definida de uma forma: uma enorme injustiça.          

Herdeiro legítimo de Monsenhor James Xie Shiguang, o Bispo da Igreja clandestina que morreu, em 2005, sem nunca ter concordado em comprometer-se com o regime comunista de Pequim, Guo era o guia de mais de setenta mil católicos chineses na Diocese de Mindong, no Sudeste da China, que tinha visto nele o novo defensor da fé, baluarte contra as prevaricações do regime.          

Pequim havia tentado impor Mons. Zhan Silu, alinhado com o governo e a chamada Associação Patriótica Católica, a falsa Igreja emanada do Partido Comunista, para o lugar de Guo. Silu tinha sido excomungado por Roma, mas, há dois anos, a assinatura do infame acordo entre a China e o Vaticano, para a nomeação dos Bispos, transformou a Diocese de Mindong numa espécie de laboratório para a verificação do acordo. Resultado: Monsenhor Zhan Silu, cuja excomunhão tinha sido levantada, era promovido, pelo Papa, a Bispo titular, enquanto Monsenhor Vincenzo Guo era rebaixado a Bispo auxiliar.

Durante dois anos, Guo tentou resistir, esperando que a justiça triunfasse. Mas agora que o Vaticano tem toda a intenção de renovar o acordo com Pequim, abandonando, de facto, os Bispos fiéis e os católicos da Igreja clandestina à sua sorte, Guo decidiu atirar a toalha ao chão. E fê-lo em perfeito estilo confucianista, humilhando-se diante de todos, mas também deixando transparecer um sarcasmo mais cortante do que qualquer injúria.

«Fica o facto – comenta a benemérita agência AsiaNews, graças à qual temos notícias, em primeira mão, da China – que ele, um grande confessor da fé, que muitas vezes foi preso, por amor à unidade da Igreja, deixa espaço para um Bispo que fora excomungado, conhecido por todos como ambicioso e sedento de poder». 

Entre outras coisas, Monsenhor Zhan Silu, «reconciliado com o Papa Francisco», não fez nenhum pedido público de perdão à comunidade.          

Resumindo o que lhe aconteceu, bem como à sua comunidade, na última homilia dirigida aos fiéis, Monsenhor Guo afirma: «Tudo isso é, talvez, o sinal de uma nova época, uma nova página para a Igreja. Num momento histórico tão extraordinário, precisamos de pessoas com grande capacidade, sabedoria, virtude e conhecimento para poder acompanhar esta época, ou mesmo preceder os passos da época guiando-a. Eu sou uma pessoa que não tem nenhuma capacidade, a minha cabeça já está obsoleta e não sabe como mudar com a mudança da sociedade; um pastor nascido numa pobre aldeia que não tem nenhum talento, nem virtude, nem sabedoria, nem habilidade, nem conhecimento; em face desta época que muda tão rapidamente, sinto-me quase incapaz. Agradeço a Deus por me ter iluminado ao fazer-me entender que já não sou capaz de acompanhar esta época. Apesar disso, também não quero ser um obstáculo ao progresso. É por isso que decidi renunciar, apresentando a minha renúncia, no mês passado, à Santa Sé».

Depois, no fim da mensagem, o Bispo resignatário deixa o seu breve, mas significativo, testamento espiritual: «Meus fiéis, deveis recordar-vos que a vossa fé está em Deus e não num homem. O homem está sujeito a mudanças, mas Deus não. A última recomendação: em qualquer circunstância ou mudança, nunca deveis esquecer-vos de Deus, não ignorar os mandamentos do Senhor, não prejudicar a integridade da fé, não retardar a salvação da alma, que é o mais importante. Estando prestes a deixar o cargo, peço que me perdoeis pela minha fraqueza e impotência, sobretudo pelas ofensas cometidas durante o meu cargo! Que o Deus misericordioso esteja sempre convosco até o último dia das vossas vidas! O vosso pastor incompetente, Guo Xijin».     

A história de Monsenhor Guo demonstra, de modo evidente e dramático, como o Vaticano está disposto a abandonar os pastores mais fiéis em nome de um acordo injusto e insensato, ainda hoje mantido em segredo.        

A humilhação infligida a um Bispo corajoso e fiel é uma ferida infligida não só à Igreja chinesa, mas a todo o povo católico e, especialmente, aos irmãos na fé que, em todas as partes do mundo, mantêm a chama acesa às custas de perseguições e assédios de todos os tipos.

Aldo Maria Valli         

Através de Radio Roma Libera

Fonte: https://www.diesirae.pt/2020/10/a-triste-historia-de-mons-vincenzo-guo.html?

 
 
 

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