"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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23/02/2021
O grande problema do Ecumenismo
 

O grande problema do Ecumenismo

23 de fevereiro de 2021

Reflexões importantes a respeito da unidade da Igreja.

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Por Cônego Heitor Matheus, ICRSS - FratresInUnum.com

1. As consequências de uma definição incompleta

Hoje em dia, é comum ouvirmos a Igreja definida como “a reunião de todos os batizados”. Segundo essa definição, qualquer pessoa batizada deve ser considerada membro da Igreja, pertencente ao Corpo Místico de Cristo, sem importar a “denominação” à qual essa pessoa pertença.

Neste sentido, Luteranos, Anglicanos, Batistas, Metodistas, Presbiterianos, Pentecostais, etc., se batizados, seriam membros do Corpo Místico de Cristo.

Isso é o que ouvimos atualmente.

A expressão “Corpo Místico de Cristo” ou “Igreja de Cristo” significaria, então, um tipo de associação espiritual de todas as denominações cristãs, onde a Igreja Católica seria apenas uma entre muitas.

Assim, se aceitamos essa definição da Igreja como “a reunião de todos os batizados”, a conclusão seria que a Igreja está dividida, porque seus membros estão presentes em todas as denominações cristãs. E, neste caso, nós deveríamos trabalhar para construir essa unidade, unidade que teria no Ecumenismo a sua realização.

Mas, nós não podemos nos esquecer que a Unidade é uma das notas características da Igreja. No Credo dizemos que cremos na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. A verdade é que a Igreja é Una e, por consequência, nao pode estar dividida. A Igreja não está fragmentada entre todas as denominações cristãs, como muitos querem nos fazer acreditar. E a chave para entender essa questão é que a pertença ao Corpo Místico de Cristo requer mais do que o simples Batismo.

Dessa forma, a Igreja não pode ser definida simplesmente como “a reunião de todos os batizados”, pois há outros elementos que são necessários, além de um batismo válido, para alguém ser considerado membro da Igreja.

2. Elementos essenciais de pertença ao Corpo Místico de Cristo

E para expor o verdadeiro ensinamento da Igreja sobre essa questão, usaremos uma figura do Antigo Testamento: a Arca da Aliança.

O Antigo Testamento foi uma preparação para o Novo Testamento. Tudo o que aconteceu na Antiga Lei foi uma prefiguração do que estava por vir. E a Arca da Aliança prefigurou a Igreja. Assim, nós iremos considerar brevemente a Arca da Aliança para poder entender melhor o que é a Igreja e quem são seus membros.

Na Epístola aos Hebreus (IX, 4), São Paulo nos diz que na Arca da Aliança havia três coisas: em primeiro lugar, ele menciona uma urna dourada que continha o maná, o pão vindo do céu. Em seguida ele menciona que na Arca também havia o cajado do Sumo Sacerdote Aarão, e as duas tábuas com os dez mandamentos da Lei de Deus.

O Maná, o Cajado de Aarão e a Lei de Deus: era isso que havia na Arca. E é isso que deve haver na Igreja.

Assim, nós só viremos a entender o que é a Igreja e quem são seus membros quando nós entendermos o significado por detrás dessas três realidades: o Maná, o Cajado do Sumo Sacerdote e as Tábuas da Lei Divina. Porque, assim como esses elementos foram essenciais para explicar o que a Arca da Aliança era, assim eles são essenciais para explicar o que é a Igreja.

O Maná é uma figura evidente da Santíssima Eucaristia, e por conseguinte, representa os Sete Sacramentos instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Cajado do Sumo Sacerdote representa a Hierarquia Eclesiástica e sua Autoridade, também instituída por Cristo.

E as Tábuas da Lei de Deus representam a Doutrina de Nosso Senhor (e há duas tábuas pois os ensinamentos de Cristo nos vêm pelas Santas Escrituras, mas também pela Tradição).

E nós podemos ver aqui os três elementos essenciais da Verdadeira Igreja: os Sete Sacramentos, a Hierarquia (com a sucessão apostólica) e a Doutrina de Nosso Senhor.

Assim sendo, nós podemos entender claramente a definição que o Papa São Pio X deu da Igreja em seu Catecismo Maior (c. X, § 2°, n. 149). Ele nos ensina que a Igreja é:

“A sociedade ou reunião de todos os batizados que:

1- professam a mesma fé e a mesma Lei de Jesus Cristo;

2- participam dos mesmos sacramentos;

3- obedecem aos legítimos pastores, principalmente ao Romano Pontífice.”

Isso significa que para ser membro da Igreja, o batismo não é suficiente, mas também deve-se crer e professar a verdadeira Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, participar dos mesmos sacramentos e obedecer aos legítimos pastores.  Essas três condições são necessárias, junto com o batismo, para alguém ser  membro da Igreja, Corpo Místico de Cristo.

Neste sentido, o Papa Pio XII declarou:

“Somente devem ser contados como membros da Igreja aqueles que foram batizados e professam a verdadeira Fé, e que não tiveram o infortúnio de se separar da Unidade do Corpo, ou de serem excluídos pela legítima autoridade em razão de faltas graves”.  (Mystici Corporis, n. 22)

Assim, não devem ser considerados como membros da Igreja:

– Aqueles que não foram validamente batizados;

– Os apóstatas, que rejeitam a totalidade da Fé Católica;

– Os hereges, que rejeitam um ou mais artigos da Fé;

– Os cismáticos, que se separaram dos legítimos pastores da Igreja;

– Os que foram excomungados.

3. Os Protestantes não fazem parte do Corpo Místico de Cristo

Essas reflexões nos levam a concluir que os Protestantes não são membros da Igreja e, consequentemente, não fazem parte do Corpo Místico de Cristo, pois Corpo Místico de Cristo e Igreja Católica são uma única e mesma realidade.

a) Os Protestantes não possuem as Duas Tábuas da Lei de Deus

Os Protestantes se gloriam de ter a Palavra Escrita de Deus, mas a verdade é que eles deturpam essa Palavra através de heresias e interpretações falsas (neste sentido, é bom lembrar que Lutero removeu sete livros do cânon sagrado das Escrituras por sua própria vontade e também adicionou a palavra “sola” à sua tradução alemã de Rm III, 28 para corroborar sua falsa doutrina). Além disso, os protestantes rejeitam a Tradição, que é uma das fontes da Revelação Divina, ao lado das Escrituras Sagradas. Como consequência, eles não seguem os verdadeiros ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas ensinamentos de homens, dos fundadores dessas denominacões (Lutero, Calvino, John Wesley, etc.). No Protestantismo a experiência mostra que cada um faz sua própria doutrina e edifica assim sua própria “igreja”.

b) Os Protestantes não possuem o Cajado do Sumo Sacerdote

Os ministros protestantes não têm a Autoridade concedida por Cristo aos Apóstolos, autoridade que é passada de geração em geração através do sacramento da Ordem. Assim, os pastores protestantes estão destituídos do poder e do mandato apostólico e, consequentemente, não têm capacidade ou legitimidade para conferir os sacramentos ou pregar a Palavra de Deus.

c) Os Protestantes não possuem o Maná.

A ausência de sucessão Apostólica causa a ausência dos sacramentos. Pois para se realizar os sacramentos da Nova Lei, requer-se a Autoridade Apostólica conferida no Sacramento da Ordem. Sem essa autoridade, não há sacramento válido. Assim sendo, a “Eucaristia” em reuniões protestantes não passa de mera simbologia, de uma simples memória, enquanto que na Igreja Católica a Santíssima Eucaristia é uma profunda realidade, verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo, graças à presença de um sacerdote ordenado. Os protestantes não têm o Maná, o Pão vivo descido dos céus. E o mesmo pode ser dito a respeito dos outros sacramentos instituídos por Nosso Senhor.

[Exceção deve ser feita a respeito do Batismo, pois este não exige a dignidade sacerdotal naquele que confere o sacramento. Assim, um batismo protestante pode ser válido, desde que observadas a cerimônias essenciais: a fórmula correta (eu te batizo em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo), a matéria correta (água), além de que o uso das palavras e da matéria deve ser concomitante e realizado pela mesma pessoa, a qual deve ter a intenção de fazer o que a Igreja faz. Outra exceção é o matrimônio, visto que ele é conferido pelos nubentes. Assim, se ambos são batizados fora da Igreja Católica, esse matrimônio é presumido como válido.]

Assim, mesmo em caso de um batismo válido, os protestantes estão fora da Casa de Deus, pois eles estão fora da Comunhão da Igreja Católica, e assim eles não fazem parte do Corpo Místico de Cristo. A razão é que as denominações protestantes não possuem o Cajado de Aarão, não possuem a Urna do Maná e não possuem as Duas Tábuas da Lei de Deus, elementos essenciais da Verdadeira Igreja.

Isso pode parecer uma posição dura e extrema a respeito dessa questão, mas o fato é que esse sempre foi o ensinamento da Igreja em seus dois milênios de existência.

E dizer o contrário seria ir não somente contra a Verdade, mas também contra a Caridade. E aqui se encontra o que nós podemos chamar de “o grande pecado do Ecumenismo”, que é dar aprovação àqueles que estão imersos no erro, dizendo aos protestantes e outros similares que eles podem agradar a Deus na “tradição religiosa” que eles seguem, sem mencionar necessidade alguma de conversão.

“Deus não quer saber de religião, mas somente se homem tem um coração bom”.

É o que se escuta por aí, como se Deus não se importasse.

É uma falsidade opôr Verdade e Caridade como antagônicas. O fato é que Verdade e Caridade não se excluem, mas uma coisa supõe a outra. Não há Verdade sem Caridade, e não pode haver Caridade (ou fraternidade verdadeira) sem o anúncio da Verdade.

E a verdade é que Deus não desejou a pluralidade de religiões. Deus desejou uma só  Religião, que é a Religião Verdadeira. Tudo o mais é obra do inimigo.

Como disse São Cipriano: “Quem não tem a Igreja [Católica] como Mãe, não pode ter Deus como Pai” (De cathol. Eccl. Unitate, 6).

4. Rezar e trabalhar pela verdadeira Unidade

Assim, se nós buscamos a Unidade, nós devemos entender o que isso significa numa perspectiva autenticamente Católica. Nós não visamos uma Unidade como se o Corpo de Cristo estivesse dividido entre todas as chamadas “denominações cristãs”. Não! A Igreja de Cristo já é Una: Una em sua Doutrina, Una em sua Hierarquia, Una em seus Sacramentos.

Mas quando falamos em rezar ou trabalhar pela Unidade, nós devemos entender uma extensão dessa Unidade da Igreja, no sentido de trazer para dentro da Casa de Deus aqueles que estão fora. E isso é verdadeiramente rezar e trabalhar pela Unidade quando nós rezamos e trabalhamos pela extensão do Reino de Cristo nesta terra, através da conversão de todos os povos à Verdade e à Igreja que Nosso Senhor Jesus Cristo fundou.

De fato “do que era dividido, Cristo fez uma Unidade (Ef 2,14)”. E essa Unidade já existe e se chama Igreja Católica.

A Igreja Católica é o único lugar onde nós podemos encontrar o Maná, o Cajado do Sumo Sacerdote e as Duas Tábuas da Lei. O único lugar em que podemos encontrar os Sete Sacramentos, a Legítima Hierarquia, e os Verdadeiros Ensinamentos de Nosso Senhor na Sagrada Escritura e na Tradição.

Assim, nós devemos rezar muito, pedindo a Deus a conversão daqueles que estão a morrer de fome fora da casa de Deus. E nós devemos também rezar por nós, que pela graça de Deus estamos dentro da Igreja, para que possamos perseverar até o fim na confissão da verdadeira Fé, e em nossos esforços para levar uma vida santa e agradável a Deus, pois sabemos que “a fé sem obras é morta (Tg II, 17)”, mas não podemos nos esquecer que “as obras, sem a verdadeira Fé, não podem agradar a Deus” (cf. Hb XI, 6).

Que Deus venha em nosso auxílio, Ele que é a nossa Paz!

Fonte: https://fratresinunum.com/2021/02/23/o-grande-problema-do-ecumenismo-2/

 
 
 

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