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16/08/2014
Presidente da Nestlé prevê a privatização contra o direito à água
 

 Presidente da Nestlé prevê a privatização contra o direito à água

16/08/2014

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Nestlé Chairman Peter Brabeck-Letmathe

“Cada vez está mais claro que a água doce é um recurso finito, vulnerável à contaminação - que é excessiva por parte das empresas transnacionais. Esta situação contribuiu para conceber a água como um bem mercantil e não como um direito fundamental, em prejuízo à satisfação das necessidades humanas básicas, das concepções ancestrais das comunidades étnicas, gerando assim maior desigualdade social e afetando, por sua vez, a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas” é o que destaca a analista venezuelana Sylvia Ubal. 

Artigo publicado por Barometro Internacional, 12-08-2014. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Sem água a humanidade não poderia nem respirar nem digerir seus alimentos

A água é imprescindível para a vida dos seres humanos e dos ecossistemas. É um dos principais elementos para a saúde tanto do planeta como dos animais que o povoam, além de ser fundamental para o ser humano: nenhum ser vivo pode sobreviver sem este líquido vital. A água constitui de 50 a 99% da massa dos organismos vivos, sendo que, os processos biológicos que conhecemos como “vida” não poderiam existir sem a água, sem ela o ser humano não poderia digerir seus alimentos, não poderiam respirar sem umidade em seus pulmões e o sangue não poderia circular por suas veias. Sem água, não há vida, é um requisito prévio para a saúde humana e seu bem-estar, assim como para a conservação do meio ambiente.

Contudo são muitas as pessoas que não têm acesso a uma fonte de água potável. A cada ano, milhões de pessoas, a maioria delas crianças, morrem por causa de enfermidades relacionadas ao saneamento, higiene e ao fornecimento inadequado de água. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, (OMS), mais de 1,1 bilhão de pessoas não tem acesso à água potável segura. Por isso, e devido à importância que a água potável tem para os seres humanos, é vital o reconhecimento e garantia do direito de dispor de tal recurso.

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É evidente a problemática que existe em torno da escassez da água potável, seu difícil acesso em muitas regiões do mundo e a má qualidade da mesma, além do saneamento inadequado, questões que afetam negativamente a segurança alimentar. Os desastres naturais relacionados à água, como inundações, tormentas tropicais e tsunamis são uma pesada carga na vida humana, mas, paradoxalmente, há a regularidade na seca que afeta os países mais pobres do mundo, fator que agrava a fome e a má-nutrição, que também são consequências da globalização e do aquecimento global.

No direito humano à água, há países que são muito mais prejudicados do que outros pela escassez desse recurso, situação que nos leva a pensar na problemática que pode ser suscitada em um futuro não muito distante: a luta entre os países por esse precioso líquido, de maneira que tal situação se torne um conflito internacional baseado na obtenção desse recurso vital.

Os processos de industrialização contaminam a água

A água se viu submetida a um processo progressivo de uso desmedido e de exploração desigual. O setor industrial é, em muitos casos, a fonte mais importante de contaminação, embora não seja o maior consumidor de água. Os dejetos líquidos industriais, por exemplo, associados aos processos de produção têxtil e de papel, possuem grande quantidade de contaminação orgânica. Em geral, a indústria e a agricultura lançam grande quantidade de poluentes químicos nos rios. Cada vez está mais claro que a água doce é um recurso finito, vulnerável à contaminação - que é excessiva por parte das empresas transnacionais. Esta situação contribuiu para conceber a água como um bem mercantil e não como um direito fundamental, em prejuízo à satisfação das necessidades humanas básicas, das concepções ancestrais das comunidades étnicas, gerando assim maior desigualdade social e afetando, por sua vez, a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas. Há uma exploração desmedida do recurso, orientada para o enriquecimento das empresas e corporações.

A expansão deste negócio exige das grandes corporações de bebidas e alimentação como a Coca Cola, Pepsi Cola, Danone, Nestlé..., a ter cada vez mais acesso aos recursos hídricos, impulsionando a privatização de água e aquíferos. E o setor da água engarrafada está crescendo muito rapidamente em todo o mundo, sendo o negócio mais lucrativo atualmente, mas também é um dos menos regulados, o que dá lugar a situações verdadeiramente escandalosas.

As fábricas que engarrafam, em muitos casos tomam a água da mesma rede destinada para uso público. Muitas vezes, como a Coca Cola, acrescentam um pacote de minerais e a chamam de “água mineral”. Com este proceder, aumentam o preço da água de garrafa em mais de mil vezes, engarrafando-a e tornando-se um dos negócios mais descarados do mundo capitalista.

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Nestes tempos da globalização estamos assistindo uma concentração impressionante da indústria em torno de quatro a cinco multinacionais que estão criando um monopólio. Indústrias como Nestlé, Danone, Coca Cola, Pepsi Cola, possuem dezenas de marcas em torno de cada uma delas, que marcam o preço e a qualidade da água sem controle algum. Nos Estados Unidos mais de um terço da água engarrafada é simplesmente água de torneira tratada ou não; sendo um negócio monopolizado pela Nestlé e Danone, as líderes mundiais.

O presidente da Nestlé contra o direito da água prevê a privatização

Em uma entrevista recente o Sr. Peter Brabeck-Letmathe (foto), atual presidente do grupo multinacional alimentício Nestlé disse que “A água não é um direto, deveria ter um valor de mercado e ser privatizada”. O empresário se mostrou a favor de que haja um controle privado e mercantilista da água a nível mundial de fornecimento da água em todo o planeta.

Também disse que a ONU tem como um direito fundamental o acesso à água e, como é sabido, milhões de pessoas no terceiro mundo têm problemas diários até para bebê-la. Responsável pelas grandes enfermidades, secas e demais problemas, a falta de água é um problema a nível planetário, mas este empresário sem escrúpulos é, inclusive, a favor de colocar mais obstáculos ao seu livre acesso.

O empresário austríaco chegou a dizer que ela deveria tornar-se ainda mais cara, porque se for barateada na atualidade haverá desperdício. Ele também qualificou como “extremistas” seus críticos que pedem que a água seja um direito fundamental. Sua companhia, todavia, é a líder mundial nas vendas de água engarrafada.

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Na América do Sul, as multinacionais estrangeiras estão adquirindo grandes áreas de natureza selvagem, dentre elas sistemas hidrográficos integrais que serão usadas em um futuro não muito distante. Destaca-se neste sentido o aquífero Guarani, onde as grandes multinacionais estão apropriando-se de terras para explorar a água.

 

Fonte:http://www.ihu.unisinos.br/noticias/534320-presidente-da-nestle-preve-a-privatizacao-contra-o-direito-a-agua

 
 
 

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