"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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06/08/2017
O EQUILÍBRIO SOBRENATURAL DA CASTIDADE TEMPERANTE
 

O EQUILÍBRIO SOBRENATURAL DA CASTIDADE TEMPERANTE

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica "Sacra Virginitas", promulgada em 26 de Março de 1954:

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

«Daqui se segue - como os santos Padres e os Doutores da Igreja claramente ensinaram - que a virgindade não é virtude Cristã SE NÃO FOR PRATICADA POR AMOR DO REINO DOS CÉUS (Mt 19,12); isto é, para mais fàcilmente nos entregarmos às coisas Divinas, para mais seguramente alcançarmos a Bem-Aventurança, e para mais livre e eficazmente podermos levar os outros para o Reino dos Céus.

Não podem, portanto, reivindicar o título de virgens as pessoas que se abstêm do matrimónio por puro egoísmo, ou para evitarem seus encargos, como nota Santo Agostinho, ou ainda por amor farisaico e orgulhoso à própria integridade corporal; já o Concílio de Gangres condena a virgem e o continente que se afastam do matrimónio por o considerarem coisa abominável, e não por se moverem pela beleza e santidade da virgindade.

Além disso, o Apóstolo das gentes, inspirado pelo Espírito Santo, observa: "Quem está sem mulher está cuidadoso das coisas que são do Senhor, como há-de agradar a Deus... e a mulher solteira e virgem cuida das coisas que são do Senhor, como há-de agradar a Deus, para ser santa de corpo e de espírito"(1Cor 7, 32-24). É essa, portanto, a finalidade primordial e a razão principal da virgindade Cristã: Encaminhar-se apenas para as coisas de Deus e orientar, para ele só, o espírito e o coração, querer agradar a Deus em tudo; concentrar n'Ele o pensamento e consagrar-Lhe inteiramente o corpo e a alma. (...)

Compreende-se, portanto, porque é que as pessoas que desejam dedicar-se ao Divino Serviço abraçam o estado de virgindade como libertação, quer dizer, PARA PODEREM MAIS INTEIRAMENTE SERVIR A DEUS, E CONTRIBUIR, COM TODAS AS SUAS FORÇAS, PARA O BEM DO PRÓXIMO. Por exemplo, o admirável missionário São Francisco Xavier, o misericordioso pai dos pobres São Vicente de Paulo, o zelosíssimo educador da juventude São João Bosco, e a incansável mãe dos emigrantes Santa Francisca Xavier Cabrini, como poderiam eles suportar tantos incómodos e trabalhos, se tivessem de prover às necessidades corporais e espirituais dos seus filhos, e da mulher ou do marido.

Mas há ainda outra razão para abraçarem o estado de virgindade todos os que se querem dedicar completamente a Deus e à salvação do próximo. Os Santos Padres enumeram todas as vantagens, para o progresso da vida espiritual, de uma completa renúncia aos prazeres da carne. Sem dúvida - como eles sàbiamente fizeram notar - tal prazer, legítimo no casamento, não é repreensível em si mesmo; pelo contrário, o uso casto do casamento está nobilitado e santificado por um Sacramento. Todavia, tem de se reconhecer igualmente que as faculdades inferiores da natureza humana, em consequência da queda do nosso primeiro pai, resistem à recta razão, e algumas vezes até levam os homens a cometer actos desonestos. Como escreve o Doutor Angélico: "O uso do matrimónio impede a alma de se entregar completamente ao serviço Divino."

Para os Ministros Sagrados conseguirem essa liberdade espiritual de corpo e alma, e para não se embaraçarem com negócios terrenos, a Igreja latina exige que eles se obriguem voluntàriamente à castidade perfeita. Se tal lei - afirma nosso predecessor de imortal memória Pio XI - não obriga de todo os Ministros da Igreja Oriental, também entre eles o celibato eclesiástico é honrado, e em certos casos - sobretudo quando se trata dos mais elevados graus da hierarquia - é condição necessária e obrigatória.

Deve notar-se, além disso, que não é apenas por causa do Ministério Apostólico que os sacerdotes renunciam completamente ao matrimónio. É também porque são Ministros do Altar. Pois, se já os sacerdotes do Antigo Testamento se abstinham do uso do matrimónio enquanto serviam no Templo, com receio de serem declarados impuros pela Lei, como o resto dos homens (Lv 15, 16-17; 22,4;1Sam 21, 5-7); com quanto mais razão não convém que os Ministros de Jesus Cristo, que todos os dias oferecem o Sacrifício Eucarístico, se distingam pela castidade perpétua? São Pedro Damião exorta os sacerdotes à castidade perfeita com esta pergunta: "Se o nosso Redentor amou tanto a flor de uma pureza intacta, que não só quis nascer num ventre virginal, mas quis também ser entregue aos cuidados de um guarda virgem, e isso, quando ainda criança vagia no berço, dizei-me: A quem quererá Ele confiar o Seu Corpo, agora que reina na imensidão dos Céus?"»

São Tomás de Aquino, em perfeita coerência com a sã filosofia, assinala a diferença fundamental entre a castidade continente e a castidade temperante: A primeira é própria de almas ainda não perfeitamente conquistadas pelo Lume Sobrenatural da Graça Divina, ainda não plenamente conformes com as maravilhas transformantes da Lei Eterna; a segunda é precisamente o oposto da primeira, constituindo a vida na Terra, em certo sentido, como um real princípio da Celeste Eternidade. Existe, todavia, uma continência que o é apenas materialmente, pois que não mantendo os olhos fixos nas realidades Sobrenaturais, age sòmente por motivos e cálculos humanos e terrenos. A castidade continente ainda se encontra sujeita a frequentes tentações intrínsecas, isto é, daquelas que nascem apenas da fraqueza moral da alma, e não da acção positiva extrínseca do demónio sobre o nosso sistema nervoso. Ao invés, no temperante, o organismo Sobrenatural, fundamentado na Graça Santificante e na Caridade, É PARTICIPADO MAIS INTENSAMENTE PELA ALMA. Para compreender isto, é necessário explicitar, que sendo, filosòficamente, acidentes, a Graça Santificante e as Virtudes Teologais e Morais, podem ser participadas com maior ou menor riqueza pela substância da alma. Ora, A ESSA PARTICIPAÇÃO CORRESPONDE UMA DIVINIZAÇÃO, QUER DAS FACULDADES DA ALMA, QUER DA SUA PRÓPRIA ESSÊNCIA, QUE PASSAM ASSIM A VIVER, ACIDENTALMENTE, COM MAIOR OU MENOR INTENSIDADE E RIQUEZA, A PRÓPRIA VIDA DE DEUS. A Santa Madre Igreja sempre asseverou que, para uma alma, vale infinitamente mais possuir a Graça Santificante do que todo o Universo natural; vale mesmo infinitamente mais UM SÓ AUMENTO DESSA GRAÇA DO QUE A POSSE DE TODO O UNIVERSO NATURAL. Podemos bem aquilatar do grau de apostasia do Vaticano 2, se nos recordarmos de que este falso concílio IGNOROU TOTALMENTE os Bens Sobrenaturais.

Neste quadro conceptual, podemos assim compreender melhor a diferença entre a castidade continente e a castidade temperante, sendo que a esta última corresponde, evidentemente, UMA MAIOR SANTIDADE.

Quando certos tradicionalistas, completamente ignorantes da Teologia Moral, afirmam que a forma patológica como os muçulmanos cobrem as mulheres demonstra uma "grande pureza da parte destes", estão, na realidade, a inverter totalmente a questão. Os muçulmanos cobrem assim as mulheres PORQUE SÃO TARADOS SEXUAIS, e tanto assim é, que o paraíso deles é carnal. No conjunto, são moralmente piores do que os ocidentais, embora estes tenham aniquilado totalmente o conceito de Verdade Objectiva, o que não aconteceu, em certa medida, com alguma aristocracia intelectual islâmica.

Porque a vida escondida na presença de Deus Nosso Senhor, participando das Suas Infinitas Riquezas, sempre tenho repetido, DEVE SER CONSTITUTIVA DE UM EQUILÍBRIO MATERIAL DE OPERAÇÃO, PORQUE SÓ ESTE PODE ASSEGURAR - NA EXTREMA CONTINGÊNCIA DAS VICISSITUDES DA EXISTÊNCIA - UMA MAIOR SANTIDADE.

São Tomás de Aquino é peremptório: Na vida Sobrenatural, existe necessáriamente uma proporcionalidade, uma comensurabilidade, entre todas as virtudes. Porque todas brotam de uma mesma raiz habitual de estabilidade Sobrenatural. Não se pode ser casto, sem ser forte, sem ser justo, sem ser prudente. É aliás a Prudência Sobrenatural que faculta, no agível concreto, o exercício pleno e proporcionado de um máximo de virtudes. Se alguém, para ser casto, não é, decididamente, nem justo, nem forte - então também não é FORMALMENTE CASTO, embora o possa ser, MATERIALMENTE, ou seja, orientado por razões puramente humanas e terrenas.

Castidade não é o mesmo que virgindade; existe e deve existir uma CASTIDADE MATRIMONIAL. Só casais extremamente virtuosos conseguem uma verdadeira e real santificação no matrimónio e pelo matrimónio; exactamente por isso é que a Santa Madre Igreja assinala a virgindade, por amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas, como estado de vida, caracterizadamente, apropriado a essa santificação. E não por qualquer maniqueísmo dualista. Considerar o casamento, em si mesmo, como um mal positivo É UMA GRANDE HERESIA!

A seita conciliar não possui, nem pode possuir, nem a virgindade, nem a castidade matrimonial, nem virtude Sobrenatural de espécie alguma. E como, uma vez demolido positivamente a Ordem Sobrenatural, NÃO FICA A ORDEM NATURAL, MAS SIM O ANTI-NATURAL - RESIDE AQUI A EXPLICAÇÃO PARA A PEDERASTIA DE PADRES E BISPOS.

O danado princípio da liberdade religiosa é absoluta e irrisòriamente incompatível com a conservação da virgindade por amor de Deus. Qual "deus"? Um sentimentalismo, totalmente cego e estéril, que na sua indeterminação panteizante faz do homem o complemento e o desenvolvimento da personalidade "divina", identificando-a com a evolução vital e cultural do mesmo homem?  Por uma coisa dessas muitos se têm lançado na droga, e finalmente - solicitado eutanásia. E o pior de tudo, é que a maçonaria, premeditadamente, ao usurpar a face humana do Corpo Místico, apresenta, materialmente, esse alto ideal de virgindade, MAS SONEGANDO, CALCULADAMENTE, AS FORÇAS SOBRENATURAIS NECESSÁRIAS PARA O ATINGIR - E O RESULTADO FOI A PANDEMIA DE PEDERASTIA DE PADRES E BISPOS, PARA QUEIMAR ETAPAS.

O puritanismo, junto com o liberalismo, constituem os maiores inimigos da castidade e da virgindade: O primeiro, pelo seu dualismo, revela que interiormente está cheio de podridão moral, carcomido por uma obsessão demencial pela carne, apenas pretendendo salvaguardar aparências exteriores; o segundo, porque oblitera radicalmente o Fundamento e o Fim Sobrenatural de qualquer ascese. Efectivamente, FOI O LIBERALISMO, COM O SEU PODER DE SEDUÇÃO ESTERILIZANTE, QUE ARRUINOU A FACE HUMANA DO CORPO MÍSTICO, COISA QUE O COMUNISMO JAMAIS CONSEGUIU, NEM CONSEGUIRIA.

Pela castidade, de cada um segundo o seu estado, restauramos preternatural e sobrenaturalmente, em grande parte, a integridade natural do nosso corpo e do nosso espírito que foi roubada pelo pecado de Adão. Na realidade, a ferida na natureza pode-se sarar, em grande parte, com a Graça Medicinal em meio Sobrenatural, e na virtude da castidade, que nos assemelha aos santos Anjos e nos configura particularmente com Nosso Senhor Jesus Cristo e com Nossa Senhora, a nossa querida Mãe do Céu.

É certo que a Moral É A FACE OPERATIVA DO DOGMA; são indissociàveis, de direito e de facto. Consequentemente, o modernismo conciliar, abatendo o Dogma, liquidou imediatamente a Moral, e na Moral, muito particularmente, A CASTIDADE DE CADA UM SEGUNDO O SEU ESTADO. A razão profunda para tal vamos encontrá-la na já citada ferida na natureza, QUE ATINGIU PREFERENCIALMENTE A FUNÇÃO GENESÍACA, DESORDENANDO-A, HIPERTROFIANDO-A, E SEPARANDO-A, TENDENCIALMENTE, DA PROCRIAÇÃO. SÒMENTE OS BENS DA GRAÇA PODEM MITIGAR ESSE FOGO, RECTIFICANDO-O E SUBLIMANDO-O. POR ISSO QUANDO ESSES BENS SÃO POSITIVAMENTE DESTRUÍDOS, PROCESSA-SE UM VERDADEIRO TERRAMOTO, COM GRAVÍSSIMAS CONSEQUÊNCIAS PESSOAIS, FAMILIARES E SOCIAIS- É O QUE ESTAMOS A ASSISTIR.

Conta-se que - aquando das perseguições desencadeadas à filosofia Tomista pelos sábios Agostinianos, nos finais do século XIII - o próprio Santo Agostinho terá aparecido a determinado doutor dizendo: "A Doutrina de Tomás é melhor do que a minha, porque é a Doutrina de um homem virgem."»

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 16 de Julho de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Fonte:https://promariana.wordpress.com/2017/08/06/o-equilibrio-sobrenatural-da-castidade-temperante/

 
 
 

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