"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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09/11/2017
A GUERRA COMO OSTENTAÇÃO DO PECADO DA HUMANIDADE
 

A GUERRA COMO OSTENTAÇÃO DO PECADO DA HUMANIDADE

09/11/2017

Escutemos o Papa São Pio X,  num trecho da sua Epístola Apostólica “Notre Charge Apostolique”, promulgada em 25 de Agosto de 1910:

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

«Enfim, na base de todas as falsificações das noções sociais fundamentais, o Sillon coloca uma falsa ideia de dignidade humana. Segundo ela, o homem só será verdadeiramente homem, digno desse nome, quando adquirir uma consciência esclarecida, forte, independente, autónoma, PODENDO DISPENSAR OS MESTRES, SÓ OBEDECENDO A SI PRÓPRIA,  e capaz de assumir, sem falhar, as mais graves responsabilidades. Eis algumas destas grandes palavras com as quais se exalta o sentimento do orgulho humano; tal como um sonho, que arrasta o homem, SEM LUZ, SEM GUIA, E SEM AUXÍLIO, PELO CAMINHO DA ILUSÃO, EM QUE ESPERANDO O GRANDE DIA DA PLENA CONSCIÊNCIA, SERÁ DEVORADO PELO ERRO E PELAS PAIXÕES. E este grande dia, quando virá? A menos que se mude a natureza humana, (o que não está no poder do Sillon) virá ele alguma vez? SERÁ QUE OS SANTOS, QUE LEVARAM AO APOGEU A DIGNIDADE HUMANA, TIVERAM ESSA DIGNIDADE?

E os humildes da Terra, que não podem subir tão alto,  e se contentam em traçar modestamente o seu sulco, na classe social que lhes designou a Providência, cumprindo enèrgicamente os seus deveres, na humildade, na obediência, e na paciência cristãs, não seriam eles dignos do nome de homens? Homens, aos quais o Senhor há-de tirar um dia da sua condição obscura para os colocar no Céu, entre os príncipes do Seu povo. (…)

Nestes hábitos democráticos, e nas doutrinas sobre a cidade ideal que os inspiram, reconhecereis, Veneráveis irmãos, a causa secreta das faltas disciplinares que, tantas vezes, tivestes que recriminar ao Sillon. Não é de espantar, que não tenhais encontrado nos chefes e nos seus companheiros assim formados, fossem seminaristas ou padres, o respeito, a docilidade e a obediência, que são devidos às vossas pessoas e à vossa autoridade; que tenhais experimentado da parte deles uma surda oposição, e que tenhais tido o pesar de os ver subtrair-se totalmente, ou quando a isso forçados pela obediência, entregar-se com desgosto às obras não-sillonistas. Vós sois o passado, eles são os pioneiros da civilização futura. Vós representais a hierarquia, as desigualdades sociais, a autoridade e a obediência: Instituições envelhecidas, ante as quais, suas almas, embevecidas por um outro ideal, não mais se podem dobrar. Temos sobre este estado de espírito o testemunho de factos dolorosos, capazes de arrancar lágrimas, e não podemos, apesar da nossa longanimidade, reprimir um justo sentimento de indignação. Pois há quem inspire à vossa juventude católica a desconfiança para com a Santa Igreja, sua Mãe: Ensina-se-lhe que decorridos dezanove séculos, ela ainda não conseguiu, no mundo, constituir a sociedade sobre suas verdadeiras bases; que ela não compreendeu as noções sociais, da autoridade, da liberdade, da igualdade, da fraternidade, e da dignidade humana; que os grandes bispos e os grandes monarcas, que criaram e tão gloriosamente governaram a França, não souberam dar ao seu povo nem a verdadeira justiça, nem a verdadeira felicidade, porque eles não tinham o ideal do Sillon.

O SOPRO DA REVOLUÇÃO PASSOU POR AÍ; e podemos concluir que as doutrinas sociais do Sillon estão erradas, o seu espírito é perigoso e a sua educação funesta.»

Ao perderem a integridade original, Adão e Eva davam início a um mundo horrendo, um mundo odioso e odiento, um mundo sem a Graça de Deus, sem a Vida Sobrenatural, que deveria unir todas as inteligências na verdade e todos os corações na Caridade.

A privação de ser, que radica nos homens pelo pecado, é em primeiro lugar de ordem moral, mas com graves consequências físicas, que tais são o sofrimento e a morte.

A Santa Madre Igreja sempre dividiu as guerras entre justas, ao menos para um dos lados, e injustas; mas sendo maus a grande maioria dos homens, como a Doutrina Católica ensina, a História demonstra, e a experiência quotidiana confirma, é mais do que evidente, que mesmo nas guerras em que a Justiça pende mais para um lado, a grande maioria dos intervenientes sucumbe ao peso esmagador do pecado. Tomemos como exemplo a Guerra de Espanha: O lado nacionalista, que combatia pelo Catolicismo, contra o comunismo e contra o liberalismo, era, em si, formalmente justo. Todavia, assinalaram-se grandes crimes praticados pelos nacionalistas, além do que os seus chefes e combatentes, enquanto pessoas, não se distinguiam, de modo algum, pela sua virtude Sobrenatural – bem pelo contrário!

Já o grande historiador português Fortunato de Almeida, falecido em 1933, considera que nas lutas liberais, ou guerra civil portuguesa (1828-1834), a qualidade moral dos combatentes era igualmente medíocre de ambos os lados. O mesmo sucedeu na Guerra dos Trinta anos (1618-1648) em que ambas as partes cometeram enormes barbaridades. Os exemplos poderiam multiplicar-se: Na primeira Guerra mundial, esta foi totalmente injusta de ambos os lados, pois foi ditada pelos interesses comerciais, torpemente materialistas, e pela rivalidade nacionalista das potências laicizadas e paganizadas. Que o nacionalismo está globalmente condenado pela Santa Madre Igreja, repetidas vezes tem sido afirmado. A segunda Guerra mundial foi como que uma continuação da primeira, mas houve muito mais crimes de guerra, inclusivamente os cometidos pelos anglo-americanos no bombardeamento estratégico da Alemanha. Situando-se de um lado, os nazis, e do outro, os estalinistas mais os anglo-americanos, venha o diabo e escolha. Todavia, a determinação permanente de Churchill em aniquilar os nazis possuía um fundamento de moral natural respeitável. Exactamente por isto, O Papa Pio XII, ao manter-se numa linha de escrupulosa neutralidade – sem com isso deixar de condenar os crimes de guerra, os genocídios, os bombardeamentos indiscriminados, procurando auxiliar as vítimas –  foi perfeitamente coerente com o Direito Público da Santa Madre Igreja.

Houve filósofos que colocaram a questão se seria possível uma guerra absolutamente justa para ambos os lados? A resposta é sim; e a razão profunda para isso radica precisamente nas consequências do pecado original, na ferida na natureza, a qual produz um ruído ontológico, uma opacidade no relacionamento humano, uma assemia social, que não elidia a boa fé, a sinceridade, e até a rectidão, de ambos os beligerantes, os quais eram, contudo, obrigados a entrar em guerra pelo próprio encadeamento lógico da grande miséria da condição humana.

Dada a imutabilidade essencial dessa mesma condição humana, é óbvio que a guerra – tal como o sofrimento e a morte – jamais será erradicada da vida da humanidade. Pelo contrário: A guerra intensificou-se no século XX, em frequência, em magnitude, e em crueldade, atingindo mesmo as mulheres e as crianças, o que constitui sinal infalível do satanismo dos tempos modernos.

Quando apareceu a besta os papas condenaram-na como instrumento de satanás, e proibiram-na na guerra entre cristãos. A existência, apenas a existência, de armas atómicas, só por si, constitui prova irrefragável da hegemonia do Inferno sobre a Terra. Muita gente argumenta que hodiernamente se verifica um muito maior respeito pela vida humana do que no passado. Tal asserção é francamente ilusória; o que existe, sim, é uma malha administrativa e policial muito mais densa do que no passado; e na medida em que a aparência de bem que existe no mundo resulta, precisamente, DO EQUILÍBRIO NEGATIVO ENTRE TODOS OS EGOÍSMOS INDIVIDUAIS E COLECTIVOS, o apertar da referida malha conduzirá, necessàriamente, a uma aparência mais sólida de bem; aparência, aliás, que qual verniz hipócrita, quando se fragmenta, dissemina repulsivamente toda a hediondez de que é composto.

A guerra constitui uma das formas, mediante a qual, o verniz de boas maneiras e de finezas estala, pondo a nu a verdadeira miséria da natureza e da condição humana. Tal acontece porque as almas NÃO AMAM, NEM CONHECEM REALMENTE A DEUS NOSSO SENHOR.

É suficiente observar o mundo da política e o mundo do futebol, para concluir que a esmagadora maioria dos homens concordam, ou não, com uma qualquer lei, consoante ela provenha, ou não, do seu próprio partido; e sustentam, ou não, que houve falta consoante a jogada pertença ou não à equipe adversária.  A própria sociedade, no seu todo, consubstancia um estado de guerra fria permanente. Tal como já referi, a solidariedade social constitui uma mera aparência; quem disso duvidar, considere atentamente as greves de médicos e enfermeiros; se o fermento, a seiva moral, da sociedade fosse positiva, certas classes, conquanto lutassem legìtimamente pelos seus direitos – JAMAIS RECORRERIAM À GREVE. A razão profunda da quase totalidade das guerras, identifica-se com o facto da inteligência humana ser corrompida pelo pecado, daí a radical ausência de objectividade da esmagadora maioria dos homens, realidade, que fàcilmente degenera em conflitos a diversos níveis, até à própria guerra, civil e internacional.

Não falo, evidentemente, só de Portugal, o alcance das minhas afirmações é universal e intemporal. A condição humana não muda, os homens de hoje não são piores nem melhores do que no passado, apenas se integram num enquadramento cultural diferente. No mundo ocidental, nenhum politico vai desafiar outro para um duelo, pois seria ridicularizado; no entanto, há cem anos isso ainda era comum, mesmo em Portugal, mesmo com as leis penais a proibirem os duelos. São os homens hoje melhores, ou piores? – Não! Apenas se movem noutro universo cultural em que a mediocridade é tão grande como em qualquer outra época ou lugar.

Todavia o pacifismo é uma doutrina absolutamente contra a Doutrina Católica. Na realidade, o facto dos homens serem, em geral, maus, implica que procedamos como Nosso Senhor Jesus Cristo, que se mandou dar a outra face, nem por isso destronou, antes confirmou, a Justiça objectiva, executada pela legítima autoridade, em Nome de Deus, individual ou colectivamente, constituindo neste último caso a declaração de guerra, mesmo ofensiva, se tal for necessário para salvaguardar a Glória de Deus, a salvação das almas, e a própria legítima existência da Nação.

Mas se não devemos ser pacifistas, também não podemos ser belicistas, porque nem todos os problemas se resolvem pela violência, e ainda existem, como sempre existirão, um resto de almas boas. O espírito belicista é constitutivamente pagão, incompatível com a Graça Santificante e a Caridade, opondo-se decisivamente à Paz de Cristo e à mansidão cristã.

A Paz Sobrenatural deva constituir a nossa mais veemente aspiração, neste mundo, como na Eternidade. Pelas Virtudes Teologais e Morais, nós já irradiamos essa Paz na nossa alma, mesmo que tenhamos de combater, mesmo de armas na mão, e jamais olvidaremos que a paz deste mundo, QUE É A PAZ DA SEITA CONCILIAR, A PAZ DA ONU, não é a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, porque fundada em pensamentos, argumentos e paixões humanas; ESSA PAZ NÃO NOS SERVE, POR ESSA NÃO VALE A PENA LUTAR, PORQUE É CONTINGENTE E FRIÁVEL. ABRACEMO-NOS À TRANQUILIDADE NA VERDADE E NA SANTIDADE, QUE É A PAZ DE CRISTO, DAQUELE QUE JAMAIS NOS ABANDONARÁ, QUANDO TODOS NOS TIVEREM ABANDONADO.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Fonte: https://promariana.wordpress.com/2017/11/09/a-guerra-como-ostentacao-do-pecado-da-humanidade/

 
 
 

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