"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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05/06/2018
COMPORTARÁ A FÉ CATÓLICA ALGUMA FORMA DE CRIATIVIDADE?
 

COMPORTARÁ A FÉ CATÓLICA ALGUMA FORMA DE CRIATIVIDADE?

05/06/2018

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Divini Illius Magistri”, promulgada em 31 de Dezembro de 1929:

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«Portanto, no próprio objecto da sua missão educativa, isto é: “Na Fé e na instituição dos costumes, O PRÓPRIO DEUS FEZ A IGREJA PARTICIPANTE DO MAGISTÉRIO DIVINO E, POR BENEFÍCIO SEU, IMUNE AO ERRO; POR ISSO É ELA MESMA MESTRA SUPREMA E SEGURÍSSIMA DOS HOMENS, E LHE É NATURAL O INVIOLÁVEL DIREITO À LIBERDADE DO MAGISTÉRIO”( Leão XIII, encíclica “Libertas” 20/6/1888).

E por necessária consequência, a Santa Igreja é independente  de qualquer autoridade terrena, tanto na origem como no exercício da sua missão educativa, não só relativamente ao seu próprio objecto, mas também acerca dos meios necessários e convenientes para dela se desempenhar. Por isso,  em relação a qualquer outra disciplina e ensino humano, que considerado em si é património de todos, indivíduos e sociedades, a Santa Igreja tem direito independente a usar dele, e sobretudo de julgar a medida em que passa a ser favorável ou prejudicial à educação cristã. E isso, já porque a Santa Igreja, como sociedade perfeita tem direito aos meios para os seus fins, já porque todo o ensino, como toda a acção humana, tem necessária relação de dependência do fim último do homem, e por isso não pode subtrair-se às normas da Lei Divina.

É isso mesmo que Pio X, de santa memória, declara com esta límpida sentença: “Em tudo o que fizer o cristão, não lhe é lícito desprezar os Bens Sobrenaturais, antes, segundo os ensinamentos da Sabedoria Cristã, deve dirigir todas as coisas ao Bem Supremo, como a Fim último: Além disso, todas as suas acções, enquanto são boas ou más em ordem aos bons costumes, isto é, enquanto concordam ou não com o direito natural e Divino, estão sujeitas à Jurisdição da Santa Igreja.

É pois com pleno direito que a Igreja promove as letras, as ciências e as artes, enquanto necessárias ou úteis à educação cristã, e a toda a sua obra para a salvação das almas, fundando e mantendo até escolas e instituições próprias em todo o género de disciplina e em todo o grau de cultura. Nem se deve considerar como estranha ao seu maternal Magistério a própria educação física, como hoje a apelidam, precisamente porque é um meio que pode prejudicar ou beneficiar a educação cristã. (…)

O exercício deste direito não pode considerar-se ingerência indevida, antes, é preciosa providência maternal da Santa Igreja, tutelando os seus filhos contra os graves perigos de todo o veneno doutrinal e moral. E até esta vigilância, assim como não pode criar algum verdadeiro inconveniente, assim não pode deixar de produzir eficaz incitamento à ordem e bem estar das famílias e da sociedade civil, afastando para longe da juventude aquele veneno moral que nesta idade, inexperiente e volúvel, costuma ter mais fácil aceitação e mais rápida extensão na prática. Pois que sem a recta instrução religiosa e moral, como sapientemente adverte Leão XIII – “TODA A CULTURA DOS ESPÍRITOS SERÁ DOENTIA: OS JOVENS, SEM O HÁBITO DE RESPEITAR A DEUS, NÃO PODERÃO SUPORTAR DISCIPLINA ALGUMA DE VIDA HONESTA, E ACOSTUMADOS A NÃO NEGAR JAMAIS COISA ALGUMA ÀS SUAS TENDÊNCIAS, FÀCILMENTE SERÃO INDUZIDOS A PERTURBAR OS ESTADOS”.(encíclica “Nobilissima Gallorum Gens”- 8/2/1888)»

 

Uma das expressões mais aberrantes jamais utilizadas por Bergoglio é precisamente a de “criatividade do Espírito Santo”. Com esta expressão, Bergoglio sintetiza com crueza todo o espírito modernista da amaldiçoada seita conciliar, o qual flutua, subjectivamente, entre o ateísmo e o agnosticismo, sendo este cambiante perfeitamente coerente com a patologia imanentista que é absolutamente letal para a Fé Católica.

As pessoas do mundo proclamam gostar da imprevisibilidade da existência, que lhes permite serem criativas e assim diversificarem e multiplicarem melhor os estímulos que a vida lhes oferece. É certo que a inteligência – enquanto facilidade e eficácia na constituição aprofundada de princípios abstractos que nos conduzam, não apenas a uma contemplação noética do mundo, mas igualmente a uma capacidade de nele ùtilmente intervir e operar – É, EM SI MESMA, CRIADORA; visto que o processamento espiritual e objectivo da realidade concreta é indissociável de um modo próprio, de uma singularidade, que de alguma forma interpreta a mesma realidade, conquanto, no plano ontológico e metafísico SEJA A REALIDADE OBJECTIVA QUE MEDE A INTELIGÊNCIA E NÃO O CONTRÁRIO. Porque é a inteligência que nos faculta a maior ou menor eficiência na produção da cultura; porque esta mais não é do que uma orgânica de princípios abstractos que enriquecem objectivamente o espírito. Por exemplo: A Santa Madre Igreja sempre ensinou que a inteligência humana pode, fìsicamente, concluir naturalmente pela existência de Deus (se bem que Deus não “existe”, DEUS É, as criaturas existem, foram criadas, DEUS É INCRIADO) embora muitos homens, moralmente, não cheguem a tal conclusão, ou concebam-na de modo aberrante. Consequentemente, o acto intelectual (ex ratione) é sempre orientado pelo acto de ser do sujeito. Neste quadro conceptual, se a inteligência humana, fisicamente, pode, mas, moralmente, nem sempre procede em conformidade, é precisamente porque o acto de ser interpreta, constitutiva mas quase inconscientemente, o acto da inteligência, neste se exercendo. E mesmo nas crianças muito pequenas, nas quais ainda não é concebível um acto moral de ser, mesmo nelas, a organização da percepção orientada pela inteligência e para a inteligência, nesta se exercendo, varia de sujeito para sujeito, PORQUE METAFÌSICAMENTE NÃO PODEM EXISTIR DOIS ENTES ABSOLUTAMENTE IGUAIS NA SUA INDIVIDUALIDADE. Nestes casos, os actos de inteligência são individualmente diferentes, MAS COMPLETAM-SE NA PERFEIÇÃO DA ESPÉCIE, LOGO ENRIQUECEM-SE MÙTUAMENTE.

Sabemos, também, que há pessoas notàvelmente mais criativas do que outras; e aqui estará em causa o tipo qualitativo de inteligência em perfeita unidade com a vontade, pois que existe entre elas uma proporção transcendental, e a vontade exprime concretamente a profundidade do acto de ser. A criatividade, rectamente concebida, é perfeitamente legítima. Porque as pessoas, formalmente, com mais tonalidade criativa, são também, frequentemente, as mais inteligentes. Deus providenciou para que a inteligência humana desbravasse as opacidades da constituição íntima do mundo, irradiando uma determinada luz de sageza compreensiva sobre as obras de Deus Nosso Senhor.

Os entes contingentes não podem criar em sentido metafísico e transcendental; nem mesmo podem receber de Deus a faculdade de criar, ainda que a título instrumental, pelo simples facto de que a causa instrumental necessita de um ponto de apoio para a sua operação, e o acto Criador, por definição, em nada se apoia, porque é infinitamente simples. As criaturas podem, sim, transformar as substâncias já criadas por Deus, quer dizer, podem modificar e substituir as formas, quer as substanciais, quer as acidentais. Não podem criar, nem aniquilar. As criaturas inteligentes podem, legìtimamente, inventar, no sentido de articular, harmonizar, combinar, as diversas leis da natureza, de modo a produzirem novos artefactos, novos instrumentos, susceptíveis de incrementar a comodidade da vida. As criaturas inteligentes podem também reproduzir, artìsticamente, as realidades criadas por Deus, insuflando nas suas obras o lume ideal da sua própria inteligência, bem como da sua própria afectividade. Desta forma fazem resplandecer certas facetas da Criação, manifestando-lhes a suprema harmonia, o supremo diálogo, das propriedades transcendentais do ser, Entidade, Unidade, Verdade, Bondade – É ISSO A BELEZA! Consequentemente, as criaturas inteligentes podem, na Ordem Natural, criar em sentido impróprio, por analogia, DESDE QUE RESPEITEM AS LEIS QUE DEUS IMPÔE À SUA OBRA; LEIS QUE NÃO SÃO, DE FORMA ALGUMA ARBITRÁRIAS, MAS QUE SÃO CONSTITUTIVAS DA PRÓPRIA NATUREZA ABSOLUTA E INCRIADA; NÃO OLVIDEMOS QUE O SER DO MUNDO É VIRTUALMENTE EM DEUS.

Passando à Ordem Sobrenatural da Revelação, da qual é depositária a Santa Madre Igreja; devemos solenemente proclamar que a única forma de actividade, não de criatividade, que pode existir, é a explicitação da própria realidade objectiva da Revelação, mediante a dedução de elementos formalmente revelados mas ainda não advertidos, total ou parcialmente, pela Santa Madre Igreja. Por exemplo: Os Dogmas Marianos foram formal e objectivamente revelados, encontrando-se nas Fontes da Revelação, mas por disposição e delicadeza  da Divina Providência, só lentamente, homogèneamente, se foram explicitando, SOBRETUDO NA IDADE DO LAICISMO, embora já Santo Anselmo (1033-1109) fosse piedoso devoto da Imaculada Conceição. Certificamo-nos assim QUE NÃO HÁ, NEM PODE HAVER, NOVIDADES NA NOSSA SANTA FÉ, COMO TAMBÉM NELA NÃO PODE HAVER ESPÍRITO CRIATIVO. Pode-se conceber, igualmente, outro modo de explicitação da Fé, MEDIANTE O CRESCIMENTO NA CARIDADE SOBRENATURAL, DA SANTIDADE, O QUAL INFUNDE NA ALMA ILUSTRAÇÕES CADA VEZ MAIS PROFUNDAS E EXTENSAS – MAS SEMPRE PERFEITAMENTE HOMOGÉNEAS, SEGUNDO O MESMO E ÚNICO PRINCÍPIO DA FÉ – SOBRE OS DOGMAS, SOBRE A MORAL, SOBRE A SÃ FILOSOFIA, E ATÉ MESMO SOBRE AS COISAS NATURAIS, DILATADA, EXTRÌNSECAMENTE, QUE FICA A NOSSA INTELIGÊNCIA NATURAL. É evidente que aqui também não haverá lugar para qualquer criatividade ou novidade.

Aliás, cumpre assinalar, que a sã Filosofia, o Tomismo, pràticamente já canonizado, CONSTITUI OBJECTO SECUNDÁRIO DA INFALIBILIDADE DA SANTA MADRE IGREJA, PODENDO CONSIDERAR-SE COMO VIRTUALMENTE REVELADO. Mas aqui também não podem existir novidades. Porque o desenvolvimento histórico do Tomismo também só pode ser homogéneo e segundo o mesmo princípio, na exacta medida em que ao aplicar-se a realidades novas, o Tomismo nunca perde a sua identidade, procedendo assim à incorporação do novo na Sabedoria regeneradora e salvífica do Essencialismo, assimilando num único Princípio tudo o que for realmente são. É pois evidente, que pertence à Verdade Teológica e Filosófica, e à operação moral que lhe é inerente, irradiar a sua luz benfazeja e integradora sobre tudo o que, CRIADO POR DEUS NOSSO SENHOR, PARA ELE DEVE VOLTAR.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 4 de Junho de 2018

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Fonte:https://promariana.wordpress.com/2018/06/05/comportara-a-fe-catolica-alguma-forma-de-criatividade/

 
 
 

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