"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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13/10/2018
A FÉ CATÓLICA É INTRÍNSECAMENTE TOTALITÁRIA
 

A FÉ CATÓLICA É INTRÍNSECAMENTE TOTALITÁRIA

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por Pro Roma Mariana

Escutemos o Papa São Pio X, num trecho da sua encíclica "Iucunda Sane", promulgada em 12 de Março de 1904:

«Vós bem vedes, Veneráveis irmãos, como de facto triunfa por toda a parte a peste dos costumes depravados, e como a autoridade civil - onde não recorre à ajuda da Ordem Sobrenatural - não é capaz de freá-la. Antes, a autoridade não será capaz de sanar os outros males, se esquece ou nega que todo o poder vem de Deus. O freio único de todo o governo é, então, a força; a qual, porém, não será usada permanentemente e nem sempre se terá á mão. O povo vai-se deixando atingir por uma espécie de mal estar oculto, torna-se insatisfeito, proclama o direito de agir arbitràriamente, atiça as rebeliões, suscita as revoluções dos países, ás vezes turbulentíssimas, manipula todo e qualquer direito humano ou Divino. Eliminando Deus, todo respeito às leis civis, todo cuidado das instituições - até as mais necessárias - diminui; despreza-se a justiça, pisa-se a liberdade proveniente do direito natural; chega-se até a destruir a estrutura da família, que é o primeiro e basilar fundamento da estrutura social. Segue-se que, em nosso tempo hostil a Cristo, torna-se mais difícil aplicar os remédios poderosos postos na mão da Santa Igreja pelo Redentor, com a finalidade de conservar os povos cumprindo o seu dever.

Tão pouco há salvação senão em Cristo: "Pois não há, debaixo do Céu, outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos" (At 4,12). A Ele, portanto, é preciso voltar. Aos Seus pés convém novamente prostrar-se, para ouvir da Sua Boca Divina as palavras de vida Eterna; pois sòmente Ele pode indicar o caminho da regeneração, ensinar-nos a Verdade e restituir-nos a Vida. Ele disse: "EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA" (Jo 14,6). Tentou-se operar sem a Sua presença; iniciou-se a construção do edifício, descartando a Pedra Angular, como o Apóstolo Pedro repreendia aos que crucificaram Jesus. Eis que novamente rui a construção, caindo sobre os edificadores e esmagando-os. Mas Jesus permanece sempre a Pedra Angular da sociedade humana e novamente se verifica que fora d'Ele não há salvação."É Ele a pedra rejeitada por vós, os construtores, mas que Se tornou a Pedra Angular. Pois não há, debaixo do Céu, outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos" (At 4, 11-12).
Daí reconhecereis fàcilmente, veneráveis irmãos, a absoluta necessidade que nos obriga a todos a ressuscitar, com a máxima disposição, e com todos os meios de que podemos dispor, a vida Sobrenatural em toda a sociedade: No pobre operário, que sua o próprio rosto, do nascer ao pôr do Sol, para conseguir o pão, e nos grandes da Terra, que dirigem os destinos das Nações.

É preciso, antes de tudo, recorrer à oração privada e pública, para implorar a misericórdia do Senhor e o Seu poderoso auxílio. "Senhor, salva-nos, estamos perecendo"!(Mt 8,25), devemos repetir-Lhe, como fizeram os Apóstolos abatidos pela tempestade.

Afinal, convém iluminar os intelectos com a defesa contínua da Verdade, rechaçando eficazmente os erros com os princípios da verdadeira, sólida, Filosofia e Teologia, e com todos os meios provenientes do genuíno progresso da investigação histórica. Mais ainda, é necessário inculcar convenientemente na mente de todos as máximas morais ensinadas por Jesus Cristo: Para que cada qual aprenda a vencer-se a si mesmo, a refrear as próprias paixões, a quebrar o orgulho, a ser respeitoso à autoridade, a amar a justiça, a exercitar a Caridade para com todos, a atenuar com amor cristão as duras desigualdades sociais, a desapegar o coração dos bens da Terra, a viver contente no estado em que a Providência colocou cada um, procurando nisso melhorar com o cumprimento dos próprios deveres, a anelar pela vida futura, na esperança de prémio Eterno. Mas sobretudo, é preciso que esses princípios se insinuem e penetrem no coração, para que a verdadeira piedade lance raízes profundas, e cada um, enquanto homem e cristão, reconheça, não sòmente com palavras, mas com os factos, os própios deveres e recorra com confiança filial à Igreja e aos seus ministros, para obter deles o perdão das culpas, receber a Graça fortalecedora dos Sacramentos e reordenar a própria vida segundo as leis cristãs.»

O termo totalitarismo apresenta diversas significações e cambiantes, quase todos concernentes às características de determinado regime político. Há quem sustente que totalitarismo é sinónimo de ferocidade repressiva de um regime, seja ele fascista, seja comunista, seja de raiz muçulmana. Nesse quadro conceptual, nos tempos actuais, o regime norte-coreano seria o mais totalitário possível, seguido, talvez, de perto pelo regime saudita. Todavia, no estrito plano da ciência política, a definição de totalitarismo é outra e de base filosófica Hegeliana. Nesta perspectiva, quando um regime concebe o Estado como ideia absoluta e infinita que existiria por si mesma, e concebe os indivíduos como momentos na vida dessa ideia, momentos que não possuiriam acto metafísico próprio, pois não existiriam, nem em si, nem por si, mas, dialècticamente, na ideia e pela ideia - ENTÃO TERÍAMOS UM ESTADO TOTALITÁRIO. Nesta base conceptual, o totalitarismo não se relacionaria, ao menos directamente, com a ferocidade repressiva.

Mas aqui a questão coloca-se quando nos interrogamos sobre se será lícito considerar a Fé Católica como entidade totalitária.

É certo que toda a Criação e todo o possível É VIRTUAL E ETERNAMENTE EM DEUS. Também é certo, metafísica e teològicamente, que o Princípio da Criação só pode constituir também o seu Fim. NINGUÉM PODE ESCAPAR A DEUS, QUER QUEIRA, QUER NÃO. Cumpre desde já assinalar, bem vigorosamente, que a "ideia" Hegeliana nada tem a ver com Deus Nosso Senhor, na exacta medida em que a dita "ideia" é uma fantasia da patologia da razão humana, é um produto demencial e abortivo de uma inteligência e de uma época colapsada. O conceito Hegeliano de infinito é tão absurdo, que segundo a própria dialéctica, é simultâneamente infinito absoluto e nada.

Segundo a Filosofia e Teologia Católica, as criaturas possuem um acto metafísico próprio, existem realmente, foram criadas por Deus, MAS NÃO SÃO DEUS. Precisamente porque não são Deus, é que todo o seu mérito, toda a sua dignidade operativa, toda a sua razão de ser, reside em viverem integralmente segundo a Lei de Deus, em conhecerem e amarem, sobrenaturalmente, a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo por amor de Deus. Se não o fizerem, será a sua própria dignidade ontológica que lhes exigirá o castigo do Fogo Eterno, rendendo assim, de qualquer forma, a mesma Glória de Deus que operativamente Lhe roubaram.

As criaturas de Deus Nosso Senhor, espirituais ou não, não constituem momentos da vida Divina; sem dúvida que reflectem as perfeições Divinas, de modo finito e contingente, sendo que só as criaturas espirituais, conhecendo, amando e servindo a Deus, O GLORIFICAM FORMALMENTE.

Consequentemente, estamos observando o sentido em que a Fé Católica pode e deve ser considerada totalitária. Tanto mais que fora dela não há, nem pode haver, salvação; exactamente, PORQUE SÓ HÁ UM DEUS, SÓ HÁ UM REDENTOR, SÓ PODE HAVER UMA FÉ, UMA DOUTRINA, UMA MORAL. A UNICIDADE É CONSTITUTIVA DE TODA A FÉ CATÓLICA, PORQUE É ABSOLUTAMENTE ÚNICA E SEM QUALQUER ENTIDADE SEMELHANTE. Nem mesmo se pode afirmar que as falsas seitas, o Islão com o seu falso "deus" alá, e os diversos paganismos, são entidades análogas da Fé Católica, porque nem isso são - SÃO EQUÍVOCAS! Note-se cuidadosamente: Filosòficamente, podemos e devemos estabelecer que entre as criaturas e Deus há uma analogia, em sentido negativo, mas analogia. Mas entre Deus Uno e Trino e os falsos "deuses" só pode haver equivocidade, porque os falsos "deuses" e as falsas religiões, objectivamente - não são nada! O mesmo, aliás, sucede entre a verdadeira Filosofia, o Tomismo, e as falsas filosofias do mundo, aberrações do espírito humano revoltado contra Deus, pois também são realidades equívocas. Assinale-se que no plano metafísico, o ser, enquanto é ser, não pode encerrar realidades verdadeiramente equívocas, QUE SÃO UM PURO NADA, no sentido mais estrito, pela simples razão de que tudo o que é ser, é pensável e relacionável, nesse sentido tem que possuir, E POSSUI EFECTIVAMENTE, determinada proporção metafísica intrínseca.

Por exemplo: Deus Nosso Senhor possui uma relação de razão com as Suas criaturas, porque tudo o que é criado É virtualmente em Deus, porque a qualquer criatura foi-lhe, por Deus, atribuído o ser segundo uma essência que também É virtualmente em Deus. Essa essência NÃO DEPENDE DA VONTADE DIVINA, MAS SIM DA INTELIGÊNCIA DIVINA. Por outro lado a relação da criatura com Deus é transcendental, pelas razões já aduzidas. Consequentemente, quando se emprega o termo equivocidade para exprimir a aberração das falsas religiões e dos falsos sistemas filosóficos face à Verdadeira Religião Revelada e à Verdadeira Filosofia, a qual constitui objecto secundário da Infalibilidade da Santa Madre Igreja, quando assim se procede, pretende exprimir-se o nada objectivo das falsas religiões e filosofias perante o ser da Fé Católica e do Tomismo.

Abordemos agora o problema do Estado verdadeiramente católico; terá ele de ser um estado totalitário? Jamais o poderia ser no sentido Hegeliano, comunista ou fascista; mas apenas enquanto esse Estado se considera braço secular da Santa Madre Igreja, dela recebendo toda a orientação acerca do Princípio e do Fim do homem, bem como daquilo que deve ser a ordem terrena, natural e Sobrenatural, necessàriamente conducente à consecução de um Bem comum, onde todos possam encontrar o pão de cada dia e merecer o Céu. Se por totalitário concebemos um Estado em que a Fé Católica é absolutamente tudo, enriquecendo com o seu Fim Último Sobrenatural todas as realidades temporais- então o Estado Católico deve ser totalitário.

O Estado Católico deve ser vigorosamente anti-liberal e anti-individualista, porque os cidadãos são pessoas criadas para amar sobrenaturalmente a Deus sobre todas as coisas, servindo-O, e não escravos da matéria, orfãos de Pai, condenados à liberdade e criminosos à solta. Mas deve ser igualmente anti-socialista e anti-comunista, porque os cidadãos possuem acto metafísico próprio, encontram-se, em princípio, ordenados ao Céu, e devem estar orgânica e hieràrquicamente estruturados numa constituição de têmpera infrangível.

A própria Santa Madre Igreja, na sua face humana, enquanto deve consagrar todas as suas forças ao serviço Divino, sem que se permita distrair com as futilidades terrenas, será totalitária. Porque a Santa Igreja é, tal como o seu Fundador, Divina e humana, na sua Unidade, na sua Santidade, na sua Indefectibilidade, na sua Infalibilidade, logo UMA SÓ ENTIDADE, UMA SÓ PESSOA DIVINA, AINDA QUE COM UMA NATUREZA HUMANA. Nesse sentido a Santa Madre Igreja deve considerar-se totalitária, tanto mais que o seu Direito Canónico, que possui uma base humana e enquanto tal é relativamente mutável, tem de se encontrar integralmente subordinado ao Direito Divino Sobrenatural, QUE É ABSOLUTO, ETERNO E IMUTÁVEL. Complementarmente, a Santa Madre Igreja deve possuir e possui necessàriamente, por Constituição Divina, todo o poder temporal de que carece para assegurar a plenitude dos fins Sobrenaturais; PORQUE QUEM PODE O SOBRENATURAL, PODE O NATURAL, SEMPRE EM ORDEM AO SOBRENATURAL.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 12 de Outubro de 2018

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Fonte:https://promariana.wordpress.com/2018/10/13/a-fe-catolica-e-intrinsecamente-totalitaria/

 
 
 

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