"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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05/11/2018
SÓ HÁ UMA SANTIDADE
 

SÓ HÁ UMA SANTIDADE

Escutemos o Papa São Pio X, em excertos da sua encíclica “Haerent Animo”, promulgada a 4 de Agosto de 1908:

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«Sabe-se que a santidade é fruto da nossa vontade, à medida que a nossa vontade é socorrida pela Graça Divina. Eis porque essa Graça foi posta por Deus à nossa disposição, de modo que se o desejamos, essa nunca nos faltará. O primeiro meio com o qual a podemos obter é a oração. Oração e santidade estão interligadas entre si. Uma não pode subsistir sem a outra. Corresponde à verdade o pensamento de Crisóstomo: “Creio que seja evidente para todos que é simplesmente impossível conduzir vida virtuosa sem o auxílio da oração”. E Santo Agostinho, com agudeza, chega a esta conclusão: “Sabe verdadeiramente viver bem quem reza bem”.

Esses ensinamentos encontram a mais válida confirmação na exortação de Cristo e sobretudo no seu exemplo. Para recolher-se em oração vemo-l’O retirar-Se na solidão do deserto ou subindo aos montes; passando noites inteiras em oração; frequentemente, dirige-Se ao Templo, e mesmo entre a multidão eleva os olhos ao Céus rezando diante de todos; enfim, pregado na Cruz, entre dores de morte, eleva Sua súplica ao Pai com altos brados e lágrimas.
Saiba, portanto, cada um, que se o sacerdote quiser permanecer à altura da sua dignidade, é-lhe absolutamente necessário elevado grau de oração. Infelizmente, frequentemente ele reza mais por hábito do que por íntimo fervor. A certas horas do dia, ele recita o Breviário, ou outras poucas orações, mas sem muita vontade. Depois, durante o dia, ele não encontra mais tempo para recordar-se de Deus e para falar d’Ele, elevando a alma ao Céu. Ao invés disso, o próprio sacerdote é chamado, mais do que todos os outros, a seguir o preceito de Jesus: “É necessário rezar sempre”(Lc 18,1), ordem à qual fez eco a advertência enérgica de Paulo: “Perseverai na oração, vigilantes, com acção de Graças”(Cl 4,2); “orai sem cessar”(ITess 5, 17).

A cada dia, tantas e tantas ocasiões de elevar-se a Deus se oferecem à alma desejosa da própria santificação e da santificação das demais almas! As angústias do espírito, a violência e a obsessão das tentações, a nossa pobreza espiritual, o cansaço e a esterilidade do nosso trabalho, as faltas e as negligências contínuas, e enfim, O TEMOR DO JUÍZO DE DEUS, incentivam a clamar diante do Senhor, que, além de obter-nos a Sua ajuda, enriquece-nos de méritos. E isso não é tudo; na maré de pecados que vai sempre alastrando por toda a parte, cabe de modo especial a nós implorar a clemência de Deus. Cabe a nós insistir junto a Cristo, O Qual em Seu Sacramento admirável concede toda a Graça, e suplicar-Lhe: “Piedade Senhor, Piedade do Teu povo”!

Outro meio de importância capital, é o de consagrar a cada dia breve tempo À MEDITAÇÃO DAS COISAS ETERNAS. NENHUM SACERDOTE PODE DE TAL EXIMIR-SE SEM TORNAR-SE RÉU POR NEGLIGÊNCIA GRAVE E SEM PREJUDICAR GRAVEMENTE A SUA ALMA. São Bernardo Abade escreve ao Papa Eugénio III, seu antigo discípulo, e o admoesta, com franqueza e insistência a nunca esquecer a meditação quotidiana; recomenda-lhe que embora se sinta sobrecarregado por tantas preocupações inerentes ao Supremo Apostolado, não recorra nunca à desculpa de dispensá-la. E para mostrar qual a razão de escrever-lhe assim, enumera as vantagens desse exercício: “A meditação purifica antes de tudo a mente, que é a fonte da qual ela emana. Além disso, guia os afectos, dirige as acções, corrige os abusos e os costumes, torna honesta e ordenada a vida; em uma palavra – CONFERE A CIÊNCIA DIVINA E HUMANA. A meditação esclarece as ideias confusas, conecta o que está desunido, reúne os pensamentos esparsos, sonda os mistérios, indaga a verdade, examina o verosímil, testa o que é aparente. A meditação estabelece o que está para ser feito e reflecte sobre o que já foi feito, assim a mente corrige os erros passados e evita os futuros. A MEDITAÇÃO TEM PRESENTE NA PROSPERIDADE A ADVERSIDADE, COMO FRUTO DE SABEDORIA, E NA ADVERSIDADE NÃO SE DEIXA ABALAR, COMO RESULTADO DA FORTALEZA”.

O elenco de todas estas grandes vantagens da meditação nos persuade não apenas da sua utilidade em geral, MAS IGUALMENTE DA SUA NECESSIDADE ABSOLUTA.

Em realidade, os vários encargos do sacerdócio são todos augustos e repletos de veneração, mas a frequência do seu exercício diminui, nos ministros sagrados, a veneração a eles devida. Pouco a pouco, o fervor vai diminuindo. Daí passa-se fàcilmente à indolência, E SE CHEGA ATÉ À AVERSÃO ÀS COISAS MAIS SANTAS. E ainda mais: O sacerdote é obrigado a ter contacto quotidiano com O MUNDO CORROMPIDO. Até mesmo no exercício da sua Caridade Pastoral, frequentemente, deve temer que se escondam as insídias da serpente infernal. É TÃO FÁCIL QUE O PÓ DO MUNDO CONTAMINE TAMBÉM OS MINISTROS DA RELIGIÃO! Aí está, portanto, a razão da necessidade, para o sacerdote, de voltar-se diàriamente para a CONTEMPLAÇÃO DAS VERDADES ETERNAS, PARA QUE A MENTE E A VONTADE ATINJAM CADA VEZ MAIOR VIGOR PARA RESISTIREM ÀS SEDUÇÕES.»

Esta encíclica “Haerent Animo” foi escrita por São Pio X, por ocasião do quinquagésimo aniversário da sua ordenação sacerdotal, e como uma solene exortação à santidade do clero.

Dos últimos Papas, foi São Pio X, Graças a Deus, o mais preocupado com a santidade, e concomitantemente, o menos preocupado com a diplomacia. Efectivamente, para São Pio X, o mundo é essencialmente mau, corrompido, verdadeiro inimigo da alma na sua ascensão Sobrenatural. Devemos mesmo afirmar que quanto mais santa, por Graça de Deus, é uma alma, mais ela abomina o mundo, passado, presente ou futuro, porque foi o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo Quem declarou solenemente, dogmàticamente, a irremediável e perpétua perversão do mundo.
O mal moral do mundo concorre para a exaltação do Bem. O mundo que Deus Nosso Senhor criou é Bom, precisamente porque a santidade de poucos vence qualitativamente a maldade de muitos na proclamação da Glória extrínseca da Santíssima Trindade.

Deus Nosso Senhor constitui, na Sua Asseidade, na Sua Eternidade, o Princípio, o Meio e o Fim de toda a santidade. O PRÓPRIO DEUS É SANTO, POR SI MESMO E EM SI MESMO, POIS QUE NELE COINCIDEM O SUJEITO QUE É SANTO E O FUNDAMENTO METAFÍSICO E TRANSCENDENTAL DE TODA A SANTIDADE. DEUS É SANTO, NA SUA VERDADE E PELA SUA VERDADE, E NÃO POR QUALQUER TÍTULO CRIADO. NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM, É IGUALMENTE SUBSTANCIALMENTE SANTO, POR SI MESMO E EM SI MESMO.

Segundo a seita conciliar, apóstata, ateia e niilista, EXISTE O PLURALISMO DA SANTIDADE, FUNDAMENTADO NO PLURALISMO DAS RELIGIÕES. Esta aberrante tese constitui o motor de todas as actividades desta horrível seita, nomeadamente das suas “canonizações”, que mais não são do que A APOTEOSE DO ATEÍSMO E DO DEICÍDIO.
ASSIM COMO DEUS NOSSO SENHOR É UNICO, ASSIM TAMBÉM O É A SANTIDADE, QUE CONSTITUI NÃO SÓ NUMA IDENTIFICAÇÃO TOTAL COM A MESMA VERDADE E SANTIDADE DIVINA, MAS TAMBÉM NUMA PARTICIPAÇÃO ACIDENTAL NA MESMA NATUREZA DIVINA, ATRAVÉS DA GRAÇA SANTIFICANTE E DAS VIRTUDES TEOLOGAIS E MORAIS.

A Santidade é Ser, e quanto mais profunda é mais ser possui, E FORA DO SER NÃO HÁ NADA, É O PRÓPRIO NADA METAFÍSICO. Consequentemente, a falta de santidade, o que o mesmo é dizer, a falta da Graça Santificante – É PRIVAÇÃO QUALIFICADA DE SER.

Ser, constitui um conceito abstracto impessoal, que a inteligência obtém a partir da realidade; Deus é uma realidade concreta, Pessoal, alcançada pela inteligência rectamente formada, mediante um raciocínio indutivo, cujas premissas são a consideração da realidade natural e o princípio da razão suficiente. Este princípio é muito mais profundo que o princípio da causalidade, pois se aplica não apenas às criaturas, mas também ao próprio Deus. Efectivamente, a razão suficiente do ser de Deus é constitutiva da Asseidade positiva, que significa QUE DEUS É O SEU PRÓPRIO SER; as criaturas não são o seu próprio ser, não possuem em si a razão da sua existência, mas Deus possui em Si próprio, infinitamente, a razão de Si mesmo. O conceito de Asseidade Divina, como razão positiva do Seu próprio ser, constitui a explicação total mais transcendente que a inteligência (humana e angélica) pode conseguir, porque nos faculta o porquê absoluto e Universal, quer da Criação, quer do Criador. Todavia, ainda que a inteligência criada possa contemplar essa razão, esse porquê último, jamais poderá compreendê-lo totalmente, precisamente porque o finito não pode abranger o Infinito.

Ora, a razão de ser que referimos, é também a razão da Lei Eterna, que se pode definir como: PRINCÍPIO DE ORDEM INCRIADO, INTRÍNSECO À PRÓPRIA VERDADE DIVINA, QUE GOVERNA E HIERARQUIZA TODA A CRIATURA, CRIADA OU POSSÍVEL. A Lei Moral é uma participação na Lei Eterna por parte da criatura espiritual.

Sòmente o intelectualismo Tomista, pràticamente canonizado pela Santa Madre Igreja, é verdadeiramente constitutivo da Verdade Metafísica, quer de Deus, quer das criaturas. Efectivamente, o voluntarismo escotista faz depender a Lei Moral do arbítrio da vontade Divina; nada mais falso, a Lei Moral é absolutamente conforme à Verdade das Essências, sendo esta a Verdade de Deus. Porque a criatura espiritual, criada por Deus Nosso Senhor, sendo chamada a glorificar formalmente o Seu Criador, para Ele deve voltar na Eternidade. Exactamente por isso, tem que existir uma Lei Imutável que governe e oriente toda a criatura na sua ascensão para Deus Nosso Senhor; E ESSA LEI É, NECESSÀRIAMENTE, PERFEITAMENTE, INTRÌNSECAMENTE, HOMOGÉNEA COM O FIM ABSOLUTO.
Também é falso afirmar-se que a Lei do Antigo Testamento mudou depois no Novo Testamento; a Lei de Deus é sempre a mesma e única, A FASE DA REVELAÇÃO SOBRENATURAL É QUE SE VAI ELEVANDO, E CONSEQUENTEMENTE, INTENSIFICANDO O GRAU DE EXIGÊNCIA DIVINA PARA COM AS SUAS CRIATURAS. No Antigo Testamento, pedagògicamente, Deus afrouxou, provisòriamente, as propriedades essenciais do matrimónio – unidade e indissolubilidade – mas jamais cedeu na essência mesma do matrimónio, a procriação, punindo rigorosamente o onanismo conjugal. Com Nosso Senhor Jesus Cristo, tendo sido alcançada a plenitude, o zénite da Revelação, então foi o santo Matrimónio restituído à dignidade primitiva e elevado, Sobrenaturalmente, à categoria de Sacramento.

Verificamos assim que a santidade, sendo perfeitamente homogénea com o estado de Glória Celeste, jamais se pode conceber como um fardo insuportável. A santidade é difícil no sentido em que o pecado original e suas consequências tornam os primeiros movimentos de ascensão para Deus – de resto só possíveis com a Graça medicinal e actual – extremamente penosos, porque têm que combater, positivamente, todo o peso brutal do mundo, com suas vaidades e seduções; quanto mais soubermos conservar a Graça Baptismal, menos difíceis serão estas fases iniciais; mas uma vez vencidos os primeiros obstáculos, se formos perfeitamente dóceis à Graça Divina, começamos a desenvolver eficazmente a nossa predilecção pelas coisas de Deus, e concomitantemente, a sabermos governar, sobrenaturalmente, os bens criados. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais aceleramos no caminho para Ele, porque mais participamos da Sua Verdade e Santidade e melhor sabemos remover os escolhos da vida. Nunca ninguém se pode santificar sem sofrer bastante, sobretudo moralmente, mas a Graça de Deus é o nosso conforto.

A santidade é a realidade que mais violentamente se opõe ao mundo, e vice-versa; se procurarmos na História Universal e mesmo na História Eclesiástica, a santidade é a realidade mais rara, mas também a mais preciosa.
Nos últimos setecentos anos só foram canonizados três Papas: São Celestino V (1294); São Pio V (1566-1572) e São Pio X (1903-1914). Sabemos que sempre houve bispos extremamente indignos da sua função, portanto vivendo em pecado mortal habitual. Mesmo a História Eclesiástica é atravessada por ferozes paixões humanas e terrenas, ambições desordenadíssimas de riqueza e de poder, inclusivamente de papas, que tudo tentaram, imoralmente, para obter a Tiara. A Fé Católica, na sua Beleza Sobrenatural, na sua suavidade, na sua Paz que não é deste mundo, jamais foi verdadeiramente professada e amada pela grande, pela enorme, maioria dos homens, em todas as épocas – esta é a grande verdade.

São Tomás de Aquino explica-nos a razão: No mundo material, verificamos que os entes puramente físicos, vegetais e animais, alcançam impreterìvelmente os seus fins; na realidade, as leis biológicas das plantas não sofrem excepção, na função clorofilina, enquanto produzem oxigénio, e servem também de alimento para homens e animais. Os animais possuem o instinto, que é um princípio de ordem, e se não podem progredir, individual e socialmente, é certo que cumprem as determinações do instinto. Paralelamente, plantas e animais devem servir o homem, pois para isso foram criados – e fazem-no. O próprio mundo inorgânico assegura, sem falhas, a capacidade da Terra para sustentar a vida, criando condições físicas extremamente rigorosas, sem as quais a vida desapareceria, ex. os oceanos como moderadores de calor e do frio excessivos; a inclinação do eixo da Terra diversificando fauna e flora à superfície da Terra. Esta capacidade do planeta Terra sustentar a vida, só pode ser destruída pela ganância dos homens e consequente envenenamento do ambiente.

Passando aos mesmos homens, verificamos que enquanto são seres físicos cumprem com certa normalidade as suas funções próprias; dizemos com certa normalidade, porque aqui já se verifica uma corrupção, oriunda, precisamente, da razão humana natural, ferida pelo pecado original. Todavia, é no mesmo processamento da sua razão natural que encontramos mais falhas no agir humano, ainda que não inviabilizando completamente uma determinada paz e segurança social, concebida de forma estritamente material. Sòmente quando se chega à Ordem Sobrenatural – INFINITAMENTE ACIMA DAS EXIGÊNCIAS DE QUALQUER NATUREZA, CRIADA OU POSSÍVEL – se verifica uma quase absoluta incapacidade humana para, com o auxílio Divino, alcançar eficazmente os Bens Celestes e Eternos. Daí, que todos os Tomistas considerem que a grande maioria da humanidade se condenará.

E não é que Nosso Senhor Jesus Cristo Se tenha sacrificado em vão; de modo algum, porque se não houvera Redenção, TODOS OS HOMENS SE CONDENARIAM. Só que na Ordem Sobrenatural das realidades Eternas, A VERDADE, A BONDADE E A BELEZA, MEDEM-SE POR PADRÕES ESSENCIALMENTE QUALITATIVOS E NÃO QUANTITATIVOS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 4 de Outubro de 2018

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Fonte:https://promariana.wordpress.com/2018/11/06/so-ha-uma-santidade/

 
 
 

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