"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
Documento sem título
 




 
 
04/12/2018
CAMINHEMOS SERENAMENTE À LUZ SOBRENATURAL DA ETERNIDADE
 

CAMINHEMOS SERENAMENTE À LUZ SOBRENATURAL DA ETERNIDADE

03/12/2018

http://alldiff.com/wp-content/uploads/2018/01/20140222-203547.jpg

Publicado por Pro Roma Mariana

Escutemos o Papa Bento XV, em passagens da sua encíclica “Ad Beatissimi Apostolorum Principis”, promulgada em 1 de Novembro de 1914:

«Veneráveis irmãos, recordem os princípes e dirigentes dos povos e vejam se é sábia e salutar decisão, para os poderes públicos e para as nações, separar-se da Religião Santa de Cristo, que é sustentáculo tão poderoso da autoridade. Reflictam bem se é medida de sábia política querer afastada do ensinamento público a Doutrina do Evangelho e da Igreja. Uma funesta experiência demonstra que A AUTORIDADE HUMANA É DESPREZADA ONDE A RELIGIÃO FOI EXILADA. Acontece às autoridades o mesmo que aconteceu ao nosso primeiro pai, após ter falhado. Como nele, logo que a vontade se tornou rebelde a Deus, as paixões desenfrearam-se, desconhecendo o império da vontade; do mesmo modo acontece quando quem rege os povos despreza a autoridade Divina, os povos, por sua vez passarão a desprezar a autoridade humana. Resta o habitual expediente de recorrer à violência para sufocar as rebeliões, mas a qual proveito? A violência oprime os corpos, NÃO DESENCADEIA O TRIUNFO DA VONTADE.

Retirado então, ou enfraquecido, o duplo elemento de coesão de todo o corpo social, a união dos membros com a cabeça, para a sujeição à autoridade, que maravilha, veneráveis irmãos, que a sociedade moderna se nos apresente dividida como em duas grandes armadas, lutando ferozmente entre si sem parar? (…)

Mas  de modo particular – não hesitamos repetir – com todos os argumentos que o Evangelho nos dá e que nos oferece a natureza humana e os interesses públicos e privados, apressemo-nos a exortar todos os homens a amarem-se fraternalmente entre si, em virtude do preceito Divino da Caridade. O AMOR FRATERNO NÃO SUBTRAIRÁ, CERTAMENTE, A DIVERSIDADE DE CONDIÇÕES, E PORTANTO DE CLASSES; ISSO NÃO É POSSÍVEL, COMO NÃO É POSSÍVEL QUE NUM CORPO ORGÂNICO TODOS OS MEMBROS TENHAM A MESMA FUNÇÃO E A MESMA DIGNIDADE. Fará com que os mais elevados se dobrem em direcção aos mais humildes, e os tratem não apenas segundo a justiça, como é necessário, mas com benevolência, com afabilidade, com tolerância; os mais humildes respeitem os mais elevados, comprazendo-se com o bem deles, com fidelidade para com eles; do mesmo modo que numa família os irmãos menores confiam na ajuda e na defesa dos maiores.

Qual seja a raiz de todos os males, ensina-o São Paulo: “A RAIZ DE TODOS OS MALES É O AMOR AO DINHEIRO”(I Tim 6,10). Afinal, se se considerar bem, dessa raiz originam-se todos os males que acometem a sociedade atual. Na verdade, isso ocorre nas escolas perversas, onde se plasma o coração da tenra idade, maleável como cera, ocorre com a má imprensa, que informa as mentes das massas com pouca instrução, e também com os outros meios com os quais se guia a opinião pública; QUANDO SE FAZ PENETRAR NAS MENTES O FUNESTO ERRO DE QUE O HOMEM NÃO DEVE ESPERAR POR UM ESTADO DE FELICIDADE ETERNA, MAS QUE AQUI MESMO, NA TERRA, PODE SER FELIZ, USUFRUINDO DAS HONRAS, DOS PRAZERES DESTA VIDA, NÃO É DE MARAVILHAR QUE TAIS SERES HUMANOS, NATURALMENTE FEITOS PARA A FELICIDADE, COM A MESMA VIOLÊNCIA COM QUE SÃO ARRASTADOS PARA ADQUIRIR TAIS BENS, AFASTAM DE SI QUALQUER OBSTÁCULO QUE OS DISTRAIA OU ATRAPALHE.

Foi prevendo este estado de coisas, que Cristo Senhor Nosso, com o sublime Sermão da Montanha, explicou quais eram as verdadeiras Bem-Aventuranças do homem sobre a Terra, colocando os fundamentos, por assim dizer, da Filosofia Cristã. Aquelas máximas, até mesmo aos adversários da Fé, pareceram uma espécie de Tesouro incomparável de Sabedoria, bem como A MAIS PERFEITA TEORIA DA MORAL RELIGIOSA; tendo sido unânime o reconhecimento de que antes de Nosso Senhor Jesus Cristo, VERDADE ABSOLUTA, nada de tamanha gravidade e autoridade, e  tão elevado sentimento, jamais tinha sido por alguém inculcado. Ora, todo o segredo desta Filosofia reside em que os denominados bens da vida mortal SÃO SIMPLES APARÊNCIAS DE BENS, E QUE POR ISSO, NÃO É COM O SEU DESFRUTAMENTO QUE SE PODE FORMAR A FELICIDADE DO HOMEM. Confiantes na Autoridade Divina, percebemos estar longe de que as riquezas, as glórias e os prazeres deste mundo nos tragam a felicidade; detal modo que se queremos verdadeiramente ser felizes, devemos, em lugar disso, de renunciar a eles: BEM-AVENTURADOS VÓS OS POBRES… BEM-AVENTURADOS VÓS QUE AGORA CHORAIS … BEM-AVENTURADOS SEREIS QUANDO OS HOMENS VOS ODIAREM, QUANDO VOS REJEITAREM, INSULTAREM E PROSCREVEREM VOSSO NOME COMO INFAME”(Lc 6,20-22). »

Um dos mais graves argumentos esgrimidos pelos ímpios contra a Fé Católica e a Santa Madre Igreja, consubstancia-se no anátema permanente que a mesma Igreja dirigiria ao mundo. Todavia, já Nosso Senhor Jesus Cristo estabeleceu, dogmàticamente, que essa inimizade constituía a norma fundamental das relações entre a Sua Igreja, Depositária da Revelação Sobrenatural, e um mundo necessàriamente hostil, porque quase,totalmente, obstinadamente, dominado pelo pecado e pelo erro. Todas as heresias e apostasias da História sintetizam-se na vontade de edificar uma paz entre a Santa Igreja e o mundo, OBTIDA NÃO PELA CONVERSÃO DO MUNDO, MAS PELA SECULARIZAÇÃO E LAICIZAÇÃO DA IGREJA. Que o mundo, enquanto tal, jamais se converterá, foi o próprio Nosso Senhor Quem no-lo revelou, como sendo um dos Dogmas estruturantes da Fé Católica, determinante na peregrinação temporal da Santa Madre Igreja. Santo Agostinho, que experimentou na carne e no espírito o aguilhão alienante do mundo, jamais cessou de condenar, resolutamente, a nota caracterizadora e intemporal desse mesmo mundo: O APEGO DESORDENADO À CRIATURA E CONSEQUENTE DESPREZO DAS COISAS DE DEUS. Porque ao contrário das amaldiçoadas doutrinas modernistas, É ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL AMAR IMODERADAMENTE O MUNDO,E SIMULTANEAMENTE, AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS. Karol Wojtyla caracterizava a obra conciliar, precisamente, pela novidade das almas se poderem consagrar, ao mesmo tempo, a Deus e ao mundo; Karol Wojtyla demonstrava assim, que para ele, “deus” e o mundo, em última análise, eram a mesma realidade. E na verdade, quando Karol Wojtyla foi aluno do Padre Garrigou-Lagrange, este notou, com dor, que Wojtyla não concebia a Deus como objecto, isto é que, para ele, Deus não possuía uma consistente realidade objectiva. O certo é que Wojtyla vingou, quer nos estudos, quer na carreira eclesiástica. É por demais evidente, que uma “entidade” panteizante, sentimental e imanente, completamente cega e estéril, pode servir a qualquer seita ou a qualquer paganismo, ou mesmo a qualquer bandido e terrorista – DAÍ A MONSTRUOSA CERIMÓNIA DE ASSIS. Com razão afirmava Monsenhor Lefebvre, por essa época, que ROMA ESTAVA NA APOSTASIA.

É evidente que aquilo que o mundo não compreende, nem aceita, É UMA VIDA RIGOROSAMENTE CONDUZIDA SEGUNDO PRINCÍPIOS ABSOLUTOS, ETERNOS E IMUTÁVEIS. Tal sucede porque o mundo compraz-se na incessante relatividade dos valores, bem como no fluxo desconexo e cego de vicissitudes.

Aqui em Portugal, na Faculdade de Letras de Lisboa, pontificou durante 40 anos um célebre catedrático de Filosofia, o qual (de)formou o espírito de grande parte dos futuros professores de Filosofia dos liceus e colégios de Portugal; Vieira de Almeida (1888-1962) definia a Filosofia como uma busca que valeria por si mesma, numa criatividade permanente de hipóteses, jamais como um método de atingir a Verdade Objectiva, Eterna e Imutável, a qual negava, numa posição mais ateia do que agnóstica. O execrável regime do Estado Novo português(1926-1974) convivia perfeitamente com a existência de catedráticos ateus ou agnósticos, desde que estes não afrontassem directamente o regime. O escritor e pseudo- filósofo alemão de inspiração iluminista, Lessing (1729-1781), afirmava que se Deus lhe desse a escolher  entre a Verdade e a procura da Verdade, ele escolheria a procura da Verdade. Esquecia o desgraçado pseudo-filósofo que DEUS É ELE PRÓPRIO A VERDADE, E QUE TUDO O MAIS,SENDO CRIADO, SÓ É VERDADEIRO PELA PRÓPRIA VERDADE DIVINA, COM A QUAL SE TEM DE CONFORMAR, QUER QUEIRA, QUER NÃO. A filosofia do mundo não possui, nem qualquer conceito de Deus, nem qualquer elaboração metafísica, prefere considerar a crença como constituindo o seu próprio objecto. Mas na realidade, a verdadeira filosofia – o Tomismo – constitui uma edificação da inteligência rectamente orientada e extrìnsecamente iluminada pela Fé e pela Graça Santificante.

Caminhar à Luz da Verdade Eterna de Deus é conhecer a nossa origem e o nosso fim, assim como os meios e os fins secundários que devem balizar a nossa vida. As pessoas do mundo, pelo contrário, são cegos agitando-se na esterilidade das suas existências. O desaparecimento da Santa Madre Igreja como realidade social e cultural lançou milhões de almas na mais negra orfandade doutrinal e moral, extinguindo, pela primeira vez na História da Humanidade, todo e qualquer referencial institucional de Verdade e de Santidade.

Existe uma admirável continuidade essencial na Doutrina da Santa Madre Igreja, desde a Idade Apostólica até ao malfadado Vaticano 2. A própria explicitação progressiva dessa mesma Doutrina, em toda a sua infinita riqueza, é demonstrativa da pedagogia da Divina Providência. As conquistas científicas e tecnológicas dos últimos cem anos, enquanto tais, integram-se na globalidade do plano Divino, mesmo quando, mal utilizadas e administradas, afastam as almas de Deus Nosso Senhor. Nada, absolutamente nada, é fruto do acaso perante a Inteligência e a Santidade Divina. Aquilo que denominamos acaso constitui fruto da limitação da inteligência humana, quer no conhecimento dos planos Divinos,quer na assimilação compreensiva do conjunto das leis naturais, seja de ordem física, seja de ordem psicológica ou moral. Todavia, o Magistério de quase vinte séculos da Santa Madre Igreja outorga às almas um conhecimento Sobrenatural suficiente dos desígnios Divinos acerca do Género Humano. Nunca esquecer que a Suprema Sabedoria não é aquela que nos faculta o mundo; a História da Igreja encontra-se repleta de almas extremamente simples que obtiveram pela Via Sobrenatural da Graça, das Virtudes Teologais e Morais e dos Dons do Espírito Santo, não só tudo o que era necessário para a sua salvação,mas o Lume Celestial que as constituiu igualmente num foco irradiador de Doutrina, e tão poderoso, que os próprios doutores e grandes teólogos vinham junto delas tentar assimilar aquilo que só o amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus pode comunicar. Aliás, como é notório, as Aparições celestes são quase sempre dirigidas a almas muito humildes.

São Tomás de Aquino, após ter escrito a sua gloriosa obra, foi beneficiado com tais revelações Sobrenaturais, que produziram nele a sensação de que tudo o que até aí escrevera ou ditara estava tão aquém das luzes que recebera – que nunca mais escreveu, falecendo pouco depois. Uma só comunicação Divina, seja da Graça Santificante ou actual, seja, de uma forma especial, dos Dons do Espírito Santo, VALE INFINITAMENTE MAIS DO QUE TODOS OS TESOUROS DO UNIVERSO. Em particular, constituindo os Dons do Espírito Santo, não o fruto da actividade das nossa faculdades, mas uma dinamismo Divino incorporado nessas mesmas faculdades, CONSTITUI ALGO DE SOBRENATURALMENTE TÃO ELEVADO, QUE SE DEVE CONSIDERAR NÃO SER CONFERIDO PELOS SACRAMENTOS CONSIDERADOS COMO CAUSA FÍSICA INSTRUMENTAL, MAS SIM CONSIDERADOS COMO CAUSA MORAL INSTRUMENTAL. Tal não nos deve surpreender, porque no Paraíso Terrestre existiria, evidentemente, a vida da Graça, mas não se processaria a instituição dos Sacramentos como instrumentos dessa mesma Graça Divina; e a razão profunda para tal reside no facto do pecado, de alguma maneira, sujeitar os homens à criatura, neste caso à forma exterior sensível dos Santos Sacramentos, os quais irradiam da mesma Natureza Humana de Nosso Senhor Jesus Cristo, como Causa Instrumental Primária e Eminente, Instrumento que também foi da Redenção.

Enfim,caminhar serenamente à Luz Sobrenatural da Eternidade, também não pode deixar de constituir uma peregrinação de solidão e de abandono, indispensáveis ao crescimento espiritual, na perfeita conformidade com Nosso Senhor Jesus Cristo.Não nos assustemos porém, porque o jugo de Nosso Senhor é suave, elevando sobrenaturalmente a alma a uma participação da Natureza Divina que constitui um verdadeiro oceano de imarcescível Luz, perante a qual as coisas deste mundo se dissolvem quase impassìvelmente. Dizia Santa Teresa de Ávila: “Repara bem como os homens mudam e como podemos confiar pouco neles; portanto, agarra-te a Deus, que é Imutável e que jamais te abandonará quando todos te tiverem abandonado.”

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 3 de Dezembro de 2018 - Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Fonte: https://promariana.wordpress.com/2018/12/03/caminhemos-serenamente-a-luz-sobrenatural-da-eternidade/

 
 
 

Artigo Visto: 211 - Impresso: 1 - Enviado: 0

 

 
     
 
Total Visitas Únicas: 3.321.057 - Visitas Únicas Hoje: 654 Usuários Online: 168