"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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07/10/2019
A AMAZÔNIA E A SARÇA ARDENTE
 

“O fogo que destrói, como o que devastou a Amazônia, não é o do Evangelho”, diz papa

[06/10/2019] [09:13]

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Estadão Conteúdo

Com presença de grupos indígenas brasileiros, a missa deste domingo (6) na Basílica de São Pedro, no Vaticano, foi especial: o papa Francisco abriu oficialmente o Sínodo dos Bispos Sobre a Amazônia. A cerimônia começou pontualmente às 10h deste domingo, no horário de Roma.

"O fogo que destrói, como aquele que devastou a Amazônia, não é o do Evangelho", afirmou o papa. Em sua homilia, o papa acolheu os bispos sinodais e falou sobre a importância de "caminhar juntos", citando o apóstolo Paulo. "Somos bispos porque recebemos um dom de Deus. Recebemos um dom para sermos dons. Um dom não se compra, não se troca e não se vende. Recebe-se e se dá de presente", disse, falando sobre a importância de que os religiosos sejam pastores, e não funcionários. "Dom recebido é para servir." A cerimônia contou com leituras em português e espanhol, idiomas falados nos países com territórios amazônicos.

Dos cerca de 250 convocados pelo papa para participar do Sínodo, 58 são brasileiros - é a maior delegação. O relator-geral do Sínodo é o cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam). O encontro, que ocorre deste domingo (6) até o dia 27, deve tratar de temas sociais, ambientais e religiosos dos nove países que têm territórios na Amazônia. Além do Brasil, são Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Guiana, Guiana Francesa, Venezuela e Suriname.

Papa Francisco também lembrou daqueles que foram mortos em lutas e missões na região amazônica. "Querido cardeal Hummes", dirigiu-se ao brasileiro. "Quando chegar a cidades pequenas amazônicas, vá ao cemitério procurar os túmulos dos missionários. Um gesto da Igreja por aqueles que derramaram suas vidas na Amazônica. Não nos esqueçamos deles, merecem ser canonizados."

"Muitos irmãos e irmãs da Amazônia carregam cruzes pesadas e aguardam pela libertação do Evangelho", pontuou Francisco.

Entre os participantes estão religiosos como bispos, padres e freiras, mas também leigos convidados - cientistas e pessoas ligadas a Organização das Nações Unidas (ONU). A expectativa é grande sobre os debates, principalmente por conta da crise climática contemporânea e de recentes declarações do presidente brasileiro Jair Bolsonaro sobre problemas ambientais na Amazônia que repercutiram mal no exterior.

Um dos cientistas que participam do evento é o climatologista brasileiro Carlos Nobre, que integrou a equipe que venceu o Nobel da Paz em 2007 e é um dos mais renomados especialistas do mundo em sua área. Nobre é do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. Em conversa com a reportagem, ele avaliou que o Sínodo mostra que a Amazônia "tornou-se um assunto de preocupação mundial". "Ainda que não tenha sido planejado para tanto, o Sínodo acontece num momento no qual os desmatamentos e queimadas vêm aumentando perigosamente e a discussão vem recebendo grande atenção", disse. "O encontro permitirá que se discuta novos modelos de desenvolvimento para a Amazônia, uma bioeconomia de floresta em pé e com o empoderamento de suas populações."

Em conversa com a reportagem, o padre jesuíta norte-americano James Martin, consultor do Vaticano, definiu o Sínodo como "um tempo para a Igreja se reunir e meditar sobre os muitos desafios que enfrenta, não apenas em termos de meio ambiente". "Mas também como ajudar a Igreja a alcançar pessoas em lugares que muitas vezes não são servidos por padres e paróquias", comentou ele. "E a maneira como essa região responde a essas perguntas ajudará outras áreas a enfrentar seus próprios problemas através desse importantes modo de discernimento."

"O papa Francisco convocou um Sínodo Sobre a Amazônia porque essa região merece um Sínodo", afirmou ele.

Segundo o Instrumento de Trabalho, o documento divulgado anteriormente para nortear as discussões do Sínodo, os temas que devem ser debatidos vão desde a situação das comunidades indígenas e ribeirinhas até a exploração internacional dos recursos naturais da região. Os bispos também vão discutir a violência, o narcotráfico e a exploração sexual que vitimiza os povos locais, as práticas de extrativismo ilegal, o desmatamento a poluição dos rios e as ameaças à biodiversidade, a crise climática global, os danos possivelmente irreversíveis da floresta e o posicionamento de governos quanto a projetos econômicos prejudiciais à natureza.”

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/sinodo-amazonia-papa-francisco-abertura/?

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A AMAZÔNIA E A SARÇA ARDENTE

06/10/2019

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/49/Bourdon%2C_S%C3%A9bastien_-_Burning_bush.jpg/596px-Bourdon%2C_S%C3%A9bastien_-_Burning_bush.jpg

Moisés e a sarça ardente. Sébastien Bourdon, c. 1642-45.

Fonte: Boletim Permanencia

Às vésperas do Sínodo, o Papa Francisco vem externando sua angústia com a devastação da Amazônia, real ou suposta. “Problema mundial”, disse. Para debelá-lo, conclama para a “conversão ecológica” a fim de salvar o “pulmão vital” do mundo, nossa “casa comum”.

Quanto a nós, conclamamos Sua Santidade a voltar os olhos para outro incêndio, bem mais angustiante, que há meio século queima a única Videira mais vital que todas as florestas, e devasta a casa comum dos filhos de Deus, que é a Santa Igreja.

Bem sabemos, pela Fé, que essa Videira arderá sem se consumir. É a nova sarça ardente. Na fúria do incêndio conciliar, os olhos da nossa Fé hão de enxergar a mão de Deus, como Moisés viu na chama da sarça a presença do Senhor. Num impulso, talvez, cobriremos o rosto como ele cobriu, não ousando olhar para a ira de Deus por detrás da chama. Mas é Ele que permite o fogo devorador. É Ele que preserva a Videira. E sempre preservará: Non praevalebunt.

As labaredas não destroem a Videira, isto é certo. Mas quanto estrago fazem, quantos ramos secam! Na sua profundeza interior ainda corre, discreta mas eficaz, a seiva da graça. Mas é pura devastação o casco, o tronco, os ramos, tudo o que a vista alcança. Eis o verdadeiro problema mundial.

Essa chama nefasta, só há um homem na terra com o poder de debelar. Só um, capaz de dissipar a fumaça de Satanás que sufoca a vida sobrenatural, que envolve as almas na treva mais espessa. Só um Vigário pode reanimar o verdadeiro pulmão espiritual do mundo, e oxigenar as almas desacordadas com o sopro vivificante da sã doutrina e da lei natural ― a Lei Natural promulgada na pedra, no alto do Monte Horebe, o monte da sarça ardente.

Mas para isso, é preciso que também esse homem seja pedra. Não fumaça, mas pedra. Como as pedras da Lei, que hoje um confuso Pedro despedaça, depois de ter renegado três vezes a pedra da Fé, em Assis, para abraçar a fumaça ecumênica. Seguindo o exemplo do Divino Sacerdote, rezemos por sua conversão. Não a conversão ecológica, mas esta: “Roguei por ti, para que tua Fé não desfaleça; e tu, Pedro, uma vez convertido, confirma os teus irmãos”.

A oração já está feita, e é infalível. A nós, cumpre nos associarmos ao mesmo pedido, na confiança de que, um dia, no dia da Providência, Pedro chorará amargamente os seus dias de incendiário.

Sim, Pedro, volta à Fé, apaga o incêndio. Esquece a floresta, socorre a Videira. Confirma-nos, a nós, teus irmãos, teus filhos. Sobe o Horebe, vê as tábuas, tábuas de pedra. Pedro, vê as pedras!

Passarão o céu e a terra, Amazônia incluída. Mas essas palavras não passarão. Não passará a Santa Igreja. Estejamos seguros: hoje ou amanhã, Pedro há de ver a pedra, há de apagar o incêndio, salvar a Casa, reanimar o pulmão vital das almas.

Apesar do Sínodo.

Fonte:http://catolicosribeiraopreto.com/a-amazonia-e-a-sarca-ardente/#more-17764

 

 
 
 

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