"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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16/05/2018
Francisco insinua que poderia retirar-se como fez Bento XVI
 

Francisco insinua que poderia retirar-se como fez Bento XVI

15 de maio de 2018

"Quando eu li isso, eu penso em mim, porque eu sou um bispo e eu vou ter que me retirar", disse Sua Santidade durante a homilia na Missa de terça-feira, referindo-se à primeira leitura dos Atos dos Apóstolos na que São Paulo se despede dos cristãos de Éfeso.

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Papa celebra a missa na Casa Santa Marta  (Vatican Media)

por Carlos Esteban

“É uma passagem forte, que chega ao coração, é também um trecho que nos mostra o caminho de cada bispo no momento da despedida”. Na homilia da missa celebrada na manhã desta terça-feira (15/05) na capela da Casa Santa Marta, o Papa escolheu comentar a Primeira Leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos.

O momento da despedida

O trecho narra o momento em que Paulo convoca em Éfeso os anciãos da Igreja, os presbíteros. É feita uma reunião do conselho presbiteral para que Paulo se despeça deles e como primeiro ato ele faz uma espécie de exame de consciência, dizendo o que fez pela comunidade, submetendo-se ao juízo deles. Paulo parece um pouco orgulhoso, disse Francisco, mas ao invés é objetivo. Vangloria-se somente de suas coisas: dos próprios pecados e da cruz de Jesus Cristo que o salvou. Depois, explica que agora, advertido pelo Espírito Santo, deve ir a Jerusalém.
E o Papa comentou: “Esta é experiência do bispo, o bispo que sabe discernir o Espírito, que sabe discernir quando é o Espírito de Deus que fala e que sabe defender-se quando fala o espírito do mundo”.
Paulo sabe que, de alguma forma, está indo ao encontro de “tribulações, rumo à cruz e isso nos faz pensar no ingresso de Jesus em Jerusalém. Ele entra para sofrer e Paulo vai rumo à paixão”. O apóstolo – disse ainda Francisco – “se oferece ao Senhor, obediente. Advertido pelo Espírito. O bispo que vai avante sempre, mas segundo o Espírito Santo. Este é Paulo”.

Testamento espiritual

Por fim, se despede em meio à dor dos presentes, e deixa conselhos, o seu testamento:
Ele não aconselha: “Este bem que deixo deem a ele, isto àquele, àquele outro...”. O testamento mundano, não?. O seu grande amor é Jesus Cristo. O segundo amor, o rebanho. “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho”. Cuidem do rebanho; sejam bispos para o rebanho, para proteger o rebanho, não para subir numa carreira eclesiástica, não.
Paulo confia os presbíteros a Deus certos de que Ele os protegerá, e os ajudará. Depois, retoma a sua experiência dizendo que não desejou para si ‘nem prata nem ouro ou vestes de ninguém’.
O testamento de Paulo é um testemunho. É também um anúncio. É também um desafio: “Eu fiz este caminho. Continuem vocês”. Quão distante é este testamento dos testamentos mundanos: “Isso eu deixo a ele, isto àquele, isto àquele outro …”, tantos bens. Paulo não tinha nada, somente a graça de Deus, a coragem apostólica, a revelação de Jesus Cristo e a salvação que o Senhor tinha dado a ele.

O papa pensa quando chega sua hora

“Quando eu leio isto, penso em mim” – afirmou Francisco - “porque sou bispo e devo me despedir”. E concluiu:

Peço ao Senhor a graça de me despedir assim. E no exame de consciência, não sairei vencedor como Paulo … Mas o Senhor é bom, é misericordioso, mas … Penso nos bispos, em todos os bispos. Que o Senhor dê a graça a todos nós de poder nos despedir assim, com este espírito, com esta força, com este amor a Jesus Cristo, com esta confiança no Espírito Santo.

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As palavras do Santo Padre provocaram uma onda imediata de especulações não muito diferentes daquelas que despertaram em seu dia o "Nunc dimitis" de São João Paulo II, e talvez não com maior justificação, embora haja duas razões para pensar que, neste caso, faz mais sentido levar isso em conta.

Em primeiro lugar, o precedente do Papa Emérito, Bento XVI.

Em segundo lugar, a interpretação que Francisco fez em seu dia sobre a abdicação surpreendente de seu antecessor, cujo alcance é sem precedentes na história da igreja. Na verdade, embora conheçamos outros dois casos anteriores de renúncia Papal, em cada caso, a pessoa interessada retornou ao estado de antes de ser nomeado Pontífice, enquanto Bento criou com esse mesmo ato a figura, até então inexistente e eclesiológicamente questionável, de "Papa emérito", mantendo o hábito, o tratamento e até mesmo o nome escolhido para o seu papado.

Na época, Francisco insistiu que a decisão de seu antecessor não era isolada ou excepcional, mas prenunciava uma fórmula que poderia tornar-se habitual no futuro, e até insinuou que ele mesmo poderia tomar uma decisão semelhante no futuro.

A Sala de Imprensa do Vaticano não forneceu o texto completo da homilia, o que poderia lançar alguma luz sobre este ponto. De qualquer forma, o próprio Pontífice declarou a pessoas próximas a ele sua obsessão por não deixar a Cadeira de Pedro antes de garantir que suas reformas fossem irreversíveis.

Quanto a estas, está pelo menos pendente a reforma da Cúria Romana, missão de um conselho privado - o C9 - que ainda, cinco anos após a sua criação, não tomou nenhuma  medida operacional a este respeito.

Fontes: https://infovaticana.com/2018/05/15/francisco-insinua-podria-retirarse-benedicto/- https://www.vaticannews.va/pt/papa-francisco/missa-santa-marta/2018-05/papa-francisco-missa-santa-marta-bispo0.html#.Wvqy1_5jkyA.twitter

 
 
 

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