"...Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.." (Marcos 13)
 
       
 
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09/06/2019
Caso Zanchetta, os juízes argentinos desafiam o Papa Francisco
 

Caso Zanchetta, os juízes argentinos desafiam o Papa Francisco

09/06/2019

Abuso sexual contínuo e agravado contra alguns seminaristas: foi formalizada a acusação contra o bispo argentino Gustavo Zanchetta, que também retirou seu passaporte e forçou a ficar em casa. Depois da "misteriosa" renúncia ao cargo de bispo de Oràn, Zanchetta foi de fato "promovido" com uma posição no Vaticano; e apesar da eclosão do escândalo, ele participou em março passado dos exercícios espirituais no Vaticano com o Papa Francisco. Na recente entrevista com uma TV mexicana, o papa reconstruiu a história do seu ponto de vista, em contraste com os testemunhos vindos da Argentina.

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Por Nico Spuntoni

A situação do monsenhor Gustavo Zanchetta se agrava. Na audiência de quinta-feira, Monica Viazzi, promotora criminal de Salta, formalizou a acusação de abuso sexual agravado contínuo ao bispo argentino. Presente no tribunal ao lado de seu advogado, o ex-detentor da diocese de Orà teve seu passaporte retirado e uma série de exames psiquiátricos foram fixados, os quais ele será obrigado a realizar já na semana que vem.
Estas são proibições relacionadas à acusação de abuso sexual definido no tribunal como "contínuo e agravado" por seu status como ministro da religião.

O caso explodiu em todo o mundo entre o final de 2018 e o início de 2019 com a investigação jornalística do jornal "El Tribuno de Salta", em que tentaram demonstrar como a súbita renúncia de monsenhor Zanchetta ao guia da diocese de Oràn no verão de 2017 eles não foram motivados pelos "problemas de saúde" alegados na carta oficial, mas pelas alegações de abuso sexual de seminaristas liderados por cinco padres. Os fatos criminais teriam ocorrido entre 2014 e 2015. Entre 2016 e 2017, as denúncias enviadas à Nunciatura em nome do prelado argentino seriam aumentadas, acusadas de assédio contra os seminaristas, mas também de má administração econômica e autoritarismo.

A propaganda da mídia se deve principalmente ao fato de que Monsenhor Zanchetta, após a demissão dada imprudentemente pela diocese de Oràn, foi em qualquer caso nomeado conselheiro da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA) pelo Papa Francisco. Uma "promoção" no Vaticano chegou apesar da "incapacidade de governar o clero" demonstrada em casa e um motivo real para a renúncia, como declarou Alessandro Gisotti no início do caso, em janeiro passado. Naquela ocasião, o diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, negando de uma vez por todas as razões oficiais para os "problemas de saúde" indicados pelo próprio Zanchetta, havia especificado que na época de sua renúncia apenas acusações de autoritarismo e não de assédio sexual.

Uma versão contrastante com a que foi apoiada pelo jornal "El Tribuno" segundo o qual a primeira reportagem interna à Igreja para a conduta imoral do prelado teria sido apresentada já em 2015. Uma tese também afirmada por Juan José Manzano, vigário na diocese de Oràn , segundo a qual "o Vaticano teria recebido informações em 2015 e em 2017 sobre um bispo argentino próximo ao papa Francisco que tirou o auto-retrato e teve comportamentos 'obscenos', tanto que foi acusado por alguns seminaristas". Além disso, no comunicado divulgado à Associated Press, Manzano alegou ter enviado essas fotografias para Roma e disse que "Bergoglio era confessor de Zanchetta e o tratava como um filho espiritual".

O surgimento dessa relação de proximidade entre o pontífice e o acusado bispo e a "promoção" para o Apsa deste último, após a misteriosa renúncia de Oràn, contribuíram para tornar o caso um caso de interesse global. Não surpreendentemente, o Papa abordou a questão há alguns dias na entrevista concedida à TV mexicana Televisa. Respondendo a uma pergunta direta da jornalista Valentina Alazraki, Francisco revelou que convocara o bispo a Roma depois das primeiras acusações relacionadas às fotografias, mas que ele havia aceitado sua defesa centrada em um suposto hacker. As queixas continuaram no "modo despótico e autoritário de tratar" e em "uma gestão econômica não totalmente clara das coisas", circunstâncias que - o papa afirmava - não teriam sido demonstradas.

Bergoglio disse que, uma vez informado pelo Núncio sobre a gravidade da queixa contra Zanchetta por abuso de poder, decidiu intervir, pedindo ao bispo que desistisse e o enviasse para a Espanha para um "teste psiquiátrico". Uma terapia a ser realizada em Madri duas vezes por mês e que teria desaconselhado uma nova partida na Argentina. Razão pela qual - Francisco alegou - escolheu 'mantê-lo' em Roma, criando para ele um posto inédito na APSA, o órgão responsável pela gestão dos bens da Santa Sé: uma nomeação que o papa queria defender, argumentando que Zanchetta "era economicamente confuso, mas não errou o trabalho que ele fez. Foi confuso, mas a visão é boa ". Além disso, a presença do Monsenhor Zanchetta nos retiros no Vaticano com o Papa Francisco causou sensação em março passado.

Sempre na entrevista com a Televisa, Bergoglio afirmou ter iniciado uma investigação preliminar confiada ao Arcebispo de Tucumán e que ele traria a necessidade de abrir um processo canônico nas mãos da Congregação para a Doutrina da Fé. Zanchetta, no entanto, não poderá aceitar o veredicto do antigo Santo Ofício em Roma porque seu caso, após a denúncia penal de suas supostas vítimas, acabou na Justiça também na Argentina. O juiz, Claudio Parisi, aceitou o pedido do promotor para impor ao prelado a obrigação de manter seu domicílio no país sul-americano: em julgamento em casa, o ex-conselheiro da APSA corre o risco de uma sentença que varia de 3 a 10. anos de prisão.

Fonte: http://www.lanuovabq.it/it/caso-zanchetta-i-giudici-argentini-sfidano-papa-francesco#.XPxBQhB0z18.twitter

 
 
 

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