Sinais do Reino


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04/06/2021
Com a Eucaristia não se negoceia!

São atuais as palavras do Salvador: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20).

Com a Eucaristia não se negoceia!

03 Junho 2021

«O memoriále mortis Dómini! Panis vivus, vitam præstans hómini!». Assim canta(va) a reza(va) a Igreja este excelso hino de louvor e adoração ao Santíssimo Sacramento, um dos cinco que São Tomás de Aquino compôs e que foram incluídos no Missal de 1570, depois do Concílio de Trento, concluído sete anos antes. Segundo se sabe, o Doutor Angélico compôs estes hinos a pedido do Papa Urbano IV, que instituiu, em Setembro de 1264, a festa do Corpo de Deus, tendo como fundamental confirmação para tal acto o milagre eucarístico de Bolsena. Muito resumidamente, sabe-se que, na já referida Bolsena, um sacerdote duvidava da transubstanciação na Santa Missa, quer dizer, não conseguia acreditar plenamente que o pão e o vinho, depois de consagrados, se tornavam no verdadeiro Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Certa vez, enquanto celebrava a Santa Missa, ao partir a Sagrada Hóstia, o sacerdote constatou que o corporal ficara repleto de sangue, havendo ainda hoje marcas desse milagre nos degraus do altar. Ao tomar conhecimento de tão sublime acontecimento, Urbano IV mandou que o corporal fosse guardado, conservando-se na Catedral de Orvieto, construída para guardar tão grande relíquia, e, como já aludido, instituiu a festa do Corpo de Deus. Foi então que o Pontífice pediu a São Tomás de Aquino, e também a São Boaventura, que pudesse preparar os textos para a Santa Missa e para o Ofício Divino daquela festa. Desde esse período, estes hinos entoam-se em todos os cantos da Terra, assumindo grande destaque o Adoro te devote, com o qual principiámos estas linhas.  

E a festa que celebramos no dia de hoje é, sem mais nem menos, a do Corpo de Deus! Este ano, à semelhança do anterior, numa situação dramática em Portugal. As procissões eucarísticas foram canceladas, enquanto as celebrações ecumênicas, que juntam também aqueles que não acreditam na Presença Real, se mantêm e em espaços fechados, e a Sagrada Comunhão continua a ser distribuída exclusivamente na mão, salvo raras excepções, contrariando todas as disposições da Igreja Universal. Assistimos ao oposto daquele que foi o propósito que levou o Papa Urbano IV a instituir esta festividade em honra da Presença de Nosso Senhor Jesus Cristo na Santíssima Eucaristia. Em nome de uma pretensa pandemia, os bispos portugueses abusam da sua autoridade – raramente exercida para o bem das almas, atendendo a que usam de um despotismo muito evidente para conseguirem impor aquilo que bem lhes apraz – para desrespeitar o Augustíssimo Sacramento que é a única fonte de vida e de caridade. Nesta atitude que se poderia classificar como apóstata, é incutida nos fiéis, principalmente nos menos esclarecidos, uma conduta profundamente errada em respeito à forma como se deve tratar e receber a Eucaristia. Quando os bispos foram consultados acerca da possibilidade da Sagrada Comunhão ser recebida na mão, nos conturbados anos pós-Concílio Vaticano II, a grande maioria discordou de tal opção, mas, apesar disso, assistimos a uma conturbada massificação destas práticas, para não falar da possibilidade que o actual Pontificado abriu para que os “recasados” pudessem comungar e, mais recentemente, do sacrílego espectáculo a que assistimos na Alemanha, em que os protestantes foram “autorizados” a comungar nas Missas católicas. Seria isso que desejava Gregório IV? A resposta parece-nos muito evidente…      

Na sua homilia da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo do ano passado, o Cardeal Bergoglio dizia o seguinte: «Com a Eucaristia, o Senhor cura também a nossa memória negativa, aquele negativismo que frequentemente se apodera do nosso coração». Estas podem-se tornar palavras sábias se dirigidas aos que incutem e aos que põem em prática um autêntico movimento de boicote à dignidade eucarística e, desse modo, à divindade e realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo! É esse o negativismo que afecta a Igreja pós-conciliar, é esse o negativismo que fez do Santo Sacrifício um banquete convivial, é esse o negativismo que renega os direitos de Deus para beneficiar os obtusos direitos revolucionários dos Homens, é esse o negativismo que dilacera o Corpo Místico de Cristo para fortalecer a sociedade ao serviço daquele que é «assassino desde o princípio» (Jo 8, 44). Mas enganam-se, pois, mais do que nunca, são atuais as palavras do Salvador: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Não nos cansemos de O procurar nos sacrários abandonados e empoeirados das nossas paróquias, não nos esqueçamos de O visitar todos os dias e de Lhe confiar as nossas preocupações e anseios, não desistamos de, com a devida preparação, comungar com fervor e com o firme propósito de, em tudo e sempre, sermos qual sacrário vivo que leva a Vida aos demais! Para estes propósitos, a Santíssima Virgem, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, o primeiro sacrário da Terra, será de grande auxílio.

Por fim, não deixemos de apelar aos Pastores confusos para que abandonem as suas perigosas e desviantes ideias, sobretudo as que os levam a fazer da Eucaristia um negócio e um contrato com cláusulas mais ou menos ajustáveis à situação e ao interesse dominante, e regressem à Fé de sempre. Com a Eucaristia não se negoceia! É por isso que rezamos e, ao comungarmos neste dia, ofereceremos a nossa Sagrada Comunhão! Laudetur Jesus Christus!        

D.C.

Fonte:https://www.diesirae.pt/2021/06/com-eucaristia-nao-se-negoceia.html?




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