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10/12/2013
O Concílio Vaticano II veicula uma doutrina panteísta,maçônica

 

    O CONCÍLIO VATICANO II VEICULA UMA DOUTRINA PANTEÍSTA, MAÇÔNICA

Publicado em 10 de Dezembro de 2013

Apresentamos abaixo a tradução de um trecho de um dos capítulos do livro “A Crucificação de São Pedro“.

 

EVOCAÇÃO DE ALGUNS FATOS

Desde o Vaticano II, a Igreja tem sofrido uma série de transformações que nenhuma interpretação lenitiva deste concílio pode mascarar. Ainda que nos custe recordar quanto nossa santa mãe, a Igreja, foi embebedada com fel por aqueles que tinham a obrigação de cuidar dela, não é possível empreender uma análise verídica do Vaticano II sem apreciar inicialmente os escândalos que a consciência dos fiéis teve de afrontar. Portanto, neste parágrafo, limitar-nos-emos aos atos simbólicos e públicos cuja interpretação não permite nenhuma dúvida, ou aos fenômenos gerais que todos têm podido constatar, sem ainda, todavia, discernir suas causas e seus contornos exatos. As questões doutrinais, frequentemente mais delicadas, serão abordadas em um parágrafo ulterior.

    “Eu te dei de beber da água salutar saída do rochedo; e tu, tu me destes de beber fel e vinagre”.

    “Foi porque eu te conduzi no deserto durante quarenta anos, te alimentei com maná e te fiz entrar em uma terra escolhida, que tu preparastes uma cruz ao teu Salvador?[1]“

Recordemos então Paulo VI dando sua cruz e seu anel a U Thant, monge budista e secretário geral da ONU. Gesto inacreditável, escandaloso, que manifestou a submissão da hierarquia às falsas religiões e às potências deste mundo. Como não evocar aqui os primeiros mártires, que recusavam um único grão de incenso ao Imperador? Paulo VI também depôs a tiara, manifestando assim publicamente o abandono da doutrina do Cristo Rei e a submissão da Igreja aos poderes temporais.

    “Marchei diante de ti em uma coluna de nuvens; e tu, tu me conduzistes ao pretório de Pilatos”.

Depois vem o escândalo de Assis, que causou um mal incomensurável entre os fiéis. Por que praticar, se todas as religiões têm o mesmo valor – e se contradizem todas? As visitas  à sinagoga, acontecimento inaudito em dois milênios de cristandade – à mesquita. Paulo VI se ajoelhando diante do patriarca ortodoxo. João Paulo II reabilitando Lutero, apagando os abismos doutrinais e espirituais que separam o catolicismo e o protestantismo; levantando a excomunhão dos ortodoxos; dando um beijo no Corão, livro que nega a divindade e a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo; participando de cultos pagãos. Depois acolhendo em grande pompa o Trilateral e o B’naï Brith e levantando, de fato, a excomunhão pluri-secular da maçonaria, tantas vezes motivada e tantas vezes repetida.

    “Eu te tirei do Egito e submergi Faraó no Mar Vermelho; e tu, tu me entregastes aos Príncipes dos sacerdotes”.

A própria noção de aggiornamento e de abertura ao mundo entra em contradição com as palavras do Senhor: “Não rezo pelo mundo” (Jo 17, 9) “Este é o Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque ele não o vê e não o conhece” (Jo 14, 17). As consequências disso se sucederam, inexoráveis, sentidas por todos os fiéis: destruição da vida sacramental, da doutrina e da vida católicas; numerosas missas inválidas ou duvidosas; abandono do sacramento da penitência; multiplicação dos sacrilégios; desaparecimento da mortificação e do espírito de penitência católicos.

    “Os mais maliciosos inimigos tem enchido de amargura a Igreja, esposa do Cordeiro Imaculado, tem-lhe dado a beber absinto, tem posto suas mãos ímpias sobre tudo o que para Ela é mais sagrado. Onde foram estabelecidas a Sé do Beatíssimo Pedro e a Cátedra da Verdade como Luz para as Nações, eles tem erguido o Trono da Abominação e da Impiedade, de sorte que, ferido o Pastor, possa dispersar-se o rebanho”. (Leão XIII, exorcismo contra Satanás e os anjos apóstatas)

A BUSCA DA CAUSA

Assim, abandonou-se ou diminuiu-se e naturalizou-se o sobrenatural, afirmando sobrenaturalizar o natural. Se isso tivesse sido possível, a Igreja se confundiria com o mundo. Diante da extensão desta catástrofe, que avaliamos melhor frequentando as almas católicas, as encíclicas e os autores pré-conciliares, devemos necessariamente encontrar sua causa. Ora, a causa de estragos de tal extensão deve ser proporcional aos seus efeitos: a efeitos inauditos, causa inaudita. Esta alienação da Igreja só pode ter uma causa que lhe é estranha, oposta.

Afirmamos, mensurando exatamente o peso de nosso propósito, que o concílio Vaticano II veicula uma doutrina panteísta, maçônica, condenada durante séculos pelos soberanos pontífices e contrária à verdade revelada. Doutrina que se caracteriza pela confusão entre o Criador e a criatura; e pela afirmação de que nossa natureza é graciosa. A crise da Igreja não tem outra origem além desta. A apostasia de continentes inteiros, a perda de centenas de milhões de almas, cujas teremos que responder no Julgamento final, encontra aí sua origem. As humilhações que nossa mãe, a Igreja, sofreu, o fim das missões e a interrupção das conversões provêm desta mistura da luz e das trevas, da verdade e das mentiras. E somente um retorno completo e manifesto à doutrina católica, que passará provavelmente pela consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria, permitirá à fé irradiar-se e ser novamente difundida sobre toda a terra.

Estas palavras são duras, sem dúvida. Também não hesitaremos em invocar a autoridade de São Pio X e a citar extensamente sua encíclica Pascendi, na qual, já há um século, o santo papa denunciava esses erros:

    “O sentimento religioso, que por imanência vital surge dos esconderijos da subconsciência, é pois o gérmen de toda a religião e a razão de tudo o que tem havido e haverá ainda em qualquer religião.

    Este mesmo sentimento rudimentar e quase informe a princípio, pouco a pouco, sob o influxo do misterioso princípio que lhe deu origem, tem-se ido aperfeiçoando, a par com o progresso da vida humana, da qual, como já ficou dito, é uma forma.

    Temos, pois, assim a origem de toda a religião, até mesmo da sobrenatural; e estas não passam de meras explicações do sentimento religioso. Nem se pense que a católica é excetuada; está no mesmo nível das outras, pois não nasceu senão pelo processo de imanência vital na consciência de Cristo, homem de natureza extremamente privilegiada, como outro não houve nem haverá. Fica-se pasmo em se ouvindo afirmações tão audaciosas e sacrílegas! Entretanto, Veneráveis Irmãos, não é esta linguagem usada temerariamente só pelos incrédulos. Homens católicos, até muitos sacerdotes, afirmaram estas coisas publicamente, e com delírios tais se vangloriam de reformar a Igreja.

    Já não se trata aqui do velho erro, que à natureza humana atribuía um quase direito à ordem sobrenatural.

    Vai-se muito mais longe ainda; chega-se até a afirmar que a nossa santíssima religião, no homem Jesus Cristo assim como em nós, é fruto inteiramente espontâneo da natureza. Nada pode vir mais a propósito para dar cabo de toda a ordem sobrenatural. Por isto com suma razão o Concílio Vaticano I definiu: Se alguém disser que o homem não pode ser por Deus elevado a conhecimento e perfeição, que supere as forças da natureza, mas por si mesmo pode e deve, com incessante progresso, chegar finalmente a possuir toda a verdade e todo o bem, seja anátema (De Revel Cân. 3).[...]

    E se assim for, bem se poderia duvidar da mesma personalidade divina, e teremos aberta a estrada para o panteísmo. Do mesmo modo, a um puro e simples panteísmo leva a outra doutrina da imanência divina. Pois, se perguntarmos: essa imanência distingue ou não distingue Deus do homem? Se distingue, que divergência então pode haver entre essa doutrina e a católica? Ou então, por que rejeitam os modernistas a doutrina da revelação externa? Se, pelo contrário, não se distingue, temos de novo o panteísmo.

    Mas, de fato, a imanência dos modernistas quer e admite que todo o fenômeno de consciência proceda do homem enquanto homem. Com legítimo raciocínio deduzimos portanto que Deus e o homem são uma e a mesma coisa; e daqui o panteísmo. Também a distinção que fazem entre as ciência e a fé, não leva a outro resultado”. (São Pio X, Pascendi, 11 e 55)

 

O cardeal Siri, se apoiando sobre a encíclica Humani generis de Pio XII, também salienta a confusão entre a natureza e a graça:

 

    “Em 1950, quatro anos após a publicação do “Sobrenatural“[2], foi transmitido na Igreja a Encíclica de Pio XII “Humani Generis”. É a propósito destas concepções que Pio XII diz expressamente nesta encíclica:

    “Outros desvirtuam o conceito de gratuidade da ordem sobrenatural, sustentando que Deus não pode criar seres inteligentes sem ordená-los e chamá-los à visão beatífica”.[3]

    Independente da admiração ou das críticas levantadas por esta encíclica, é incontestável que Pio XII foi o primeiro a assinalar o ponto extremamente delicado e perigoso desta definição do homem e de suas relações com Deus. Se Deus, quando cria, imprime na criatura o que concebemos como sobrenatural, então a noção deste sobrenatural e da gratuidade muda; e daí, apesar de todos os esforços em professar a gratuidade do ato criador de Deus, emana uma multidão de considerações sobre o homem, sobre sua liberdade, sobre a graça, sobre as relações de Deus, etc… Considerações que podem conduzir – como frequentemente conduziram – mesmo à inversão dos princípios essenciais da Revelação. Esta não-gratuidade da ordem sobrenatural – para cada caso – conduz facilmente a um tipo de monismo[4] cósmico, a um idealismo antropocêntrico”. (Cardeal Siri)[5]

 

Acrescentamos ainda um argumento de razão a este argumento de autoridade. Conhecemos a influência que a maçonaria teve sobre a reforma litúrgica conduzida por Monsenhor Bugnini. A influência do B’naï Brith sobre o cardeal Béa e sobre a Nostra Aetate também é de domínio público. É verossímil que sua influência tenha se limitado a somente estes domínios e não tenha invadido a doutrina do Vaticano II, quando a história do mundo inteiro gira em torno daquela da Igreja? “Diminutae sunt veritates“[6].

TODO O VATICANO II RESULTA IMEDIATAMENTE DISSO

Enfim, esta análise detalha imediatamente todas as inovações introduzidas pelo Vaticano II. Se a criatura se confunde com o Criador, se os bens da graça são devidos à natureza, então o homem é um Deus que não se conhece (Eritis sicut dii)[7]; por natureza, ela já se tornou participante da vida divina. Reencontramos o naturalismo negador da ordem sobrenatural, o monismo emanacionista, a gnose antiga, a maçonaria moderna e a visão holística, fundamento da Nova Era, que afirma que tudo está em tudo, que tudo é um.

    “Imagem de Deus invisível» (Col. 1,15), Ele é o homem perfeito, que restitui aos filhos de Adão semelhança divina, deformada desde o primeiro pecado. Já que, n’Ele, a natureza humana foi assumida, e não destruída, por isso mesmo também em nós foi ela elevada a sublime dignidade. Porque, pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem”. (Vaticano II, Gaudium et spes, 22,2)[8]

A dignidade divina do homem reclama a liberdade religiosa.  O homem sendo Deus, todas as hierarquias são apenas ilusórias, e somente a colegialidade na Igreja respeita a natureza real do homem. O sacerdócio é compartilhado com os fiéis. As falsas religiões não podem prejudicar a natureza do homem elevado a uma dignidade incomparável, mas nos orientam, ao contrário, rumo à nossa verdadeira essência, justificando o ecumenismo. A salvação é universal; o inferno existe, certamente, mas está vazio. Ademais, as chamas do inferno se resfriarão no fim dos tempos. “A Igreja é o sacramento da unidade do gênero humano”. A Igreja de Cristo, povo de Deus, inclui todos os homens e ultrapassa a única Igreja católica. Nossa consciência deve se purificar para atingir esta graça inamissível, pois natural, que há em nós. Não se trata mais de crer em Deus, mas de fazer a experiência Dele, até mesmo realizar nossa divindade. A negação da ordem sobrenatural conduz à destruição da fé e à religião da consciência. Toda a “teologia” dos Rahner, de Lubac, von Balthasar, Teilhard de Chardin, etc., que é apenas a intrusão das teses maçônicas e gnósticas no pensamento católico, encontra aqui sua origem, sua explicação e seu princípio interior. O santo sacrifício da missa, sacrifício propiciatório, se torna inútil, visto que nossa “natureza foi elevada a uma dignidade incomparável”. Ele pode ser substituído pelo “mistério pascal”, simples eucaristia, ação de graças, e revelação última da Aliança eterna que Deus fez com toda a humanidade. O ofertório é substituído por uma simples apresentação dos dons. A inversão dos altares marca visivelmente “a dignidade incomparável” de nossa natureza. O culto não é mais celebrado à glória de Deus, mas à glória dos homens-Deus. O foco se move da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo rumo à sua Ressurreição, com todas as consequências espirituais que resultam disso. Não nos apresentam mais como pecadores diante de Deus, solicitando sua misericórdia e sua graça, mas como já salvos – e, em grande perigo de renovar o primeiro pecado do orgulho: “ero similis Altissimo“[9].

A Igreja conciliar reivindica também um “humanismo pleno” e o título de “especialista em humanidade”. Visto que todos estão salvos, a Igreja conciliar também é o “sacramento da unidade do gênero humano”. O modernismo emanacionista mistura o Reino e o mundo em uma apoteose do mundialismo. A unidade espiritual e política se constrói com a colaboração da Igreja católica, que se reaproxima das instituições internacionais maçônicas, enquanto que a doutrina do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo, embaraçante e muito pouco ecumênica, é progressivamente escondida.

A ordem moral segue: visto que nossa natureza é graciosa, que estamos todos salvos, que diferença podemos estabelecer entre o estado de graça e o estado de pecado mortal? Por que se limitar a uma moral tão pesada? Invertamos os fins do casamento, afrouxemos as censuras tão severas que atingem os pecados anti-naturais e fechemos os olhos sobre a ruína moral de alguns.

De um modo geral, a própria noção de aggiornamento só pode ser entendida se o mundo é em Deus. A distinção entre o Criador e a criatura exige naturalmente que o mundo seja ordenado a Deus e não que Deus ou sua Igreja se conformem ao mundo. O Vaticano II veicula então uma doutrina naturalista, panteísta, maçônica, gnóstica e cabalística, e se inscreve na história das ideias que conduziram ao protestantismo, à Revolução, ao socialismo e à globalização. Em última análise, ele se inspira no mistério da iniquidade que se encontra por trás de todos esses movimentos. na utopia panteísta e naturalista. Esta convergência das forças revolucionárias, sua comunidade de ideias fazem naturalmente a Esposa mística de Cristo correr um grande perigo, cujo somente Ele poderá preservá-la.

BERNARDIN, Pascal. Le crucifiement de saint Pierre. La Passion de l’Église. Tradução de: Robson Carvalho. Paris, Éditions Notre-Dame des Grâces, 2009, c. I, p.84-90.

 

[1] Impropérios da Sexta-feira santa.

[2]Trata-se da obra do Padre de Lubac, Surnaturel, Études historiques, Paris. Éditions du Seuil, 1946. Nota do autor.

[3] Cf. Denz. 3891.

[4] Sistema que afirma a unidade de todas as coisas.

[5] Cardeal Siri, Gethsemani, Paris, Téqui, 1981, p.62.

[6] Salmo 12, 2.

[7] “Sereis como deuses” Gn 3, 5.

[8] Concílio Ecumênico Vaticano II, constituições, decretos, declarações, Paris, Éditions du Centurion, 1967.

[9]“Serei semelhante ao Altíssimo” Is 14, 14.

 

fonte:Dominus Est




Artigo Visto: 1987

 




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