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18/07/2013
Palavra do Pastor

03/06/2013, por "Dom José Antônio Peruzzo "
Pílula do Último Dia

 

 

 

   Na sociedade em que vivemos, é mais do que frequente deixar tudo para última hora. Trabalhos, infra-estruturas, planos, projetos e até a decisão de levar uma gravidez adiante. Muitas coisas fazem parte do assim chamado "último momento". No final "tudo vai dar certo". Hoje se fala constantemente do uso da pílula do dia seguinte ou da contracepção de emergência como aquela solução de última hora frente a uma gravidez indesejada. Dizer "pílula do dia seguinte" causa certa perplexidade ou melhor, deixa qualquer um desnorteado. O que faz esta pílula, qual o seu efeito e porque se tornou tão almejada no Brasil, quando rejeitada em países europeus? Qual a intenção dos órgãos de saúde pública e privada ao querer promover o consumo da pílula?


   Desde o ponto de vista técnico, este medicamento causa uma alteração no transporte tubário e também altera fortemente a maturação endometrial. Cientificamente seu nome é "Levonorgestrel". Ela elimina os vasos sanguíneos e a consistência (esponjosa) na sua espessura; causa uma espécie de explosão ou erosão na "terra" que se encontra apta para a fecundação. Sendo assim após o medicamento ser ingerido a torna inadequada. A implantação então não é bem sucedida causa a morte do embrião. Esta é a ação micro-abortiva do "Levonorgestrel".


   Ademais sabe-se que desde o primeiro momento causa um efeito quase que imperceptível no organismo da mulher. Se ela, mulher, estiver ovulando ou muito próxima da ovulação, perfeitamente a fertilização pode ocorrer. Isto quer dizer que pode se verificar um aborto precoce. Desde o campo ético surgem diversas perguntas: Por que um contraceptivo como estes deve ser distribuído aleatoriamente às mulheres, sendo que a ciência tem conhecimento e dados estatísticos do mal que causa? Quais vantagens vislumbra o Ministério da Saúde, ao promover a distribuição do medicamento, sabendo que no futuro terá uma grande população feminina portadora de doenças cancerígenas? Na sua imensa maioria, as pacientes deverão ser atendidas pelo S.U.S. Estão preparados os agentes de saúde e os profissionais para a distribuição da pílula? Ao que parece, a mesma será distribuída de forma indiscriminada.


   Já foi dito de muitas maneiras que o embrião é um novo ser humano. A partir da primeira célula, que é formada no tubo, há uma nova pessoa com as suas características genéticas. Pessoa com direitos. Em pouco tempo seria declarado nascituro; pessoa com os direitos amparados pela Constituição, como qualquer outro cidadão. Não podemos ignorar o fato de que em países como França e Holanda, hoje a pílula do dia seguinte seja simplesmente descartada. La sabem que as consequências que esta pílula traz para a mulher no futuro são funestas; e até onde podemos compreender que tanto a mulher como o embrião possuem também seus direitos.


   O Dr. Jerome Lejeune, figura importantíssima e notável no campo da Biologia Humana e Genética, descobridor da "trissomia 21", ou síndrome de Down, Professor de Genética na Universidade de Paris, e diretor do Centro para a Pesquisa Científica da França declara: "Assim como cada cromossomo cumpre uma função essencial na vida da pessoa, também o respeito que os agentes externos cumprem no desenvolvimento da pessoa mesma, é fundamental para que o ser humano não seja destruído".


   Sabemos que o problema não está centralizado somente no consumo da pílula do dia seguinte. Sabemos que existe uma forte resistência por parte de alguns, para que este medicamento não seja oferecido sem consideração nenhuma a jovens e adolescentes que por alguma razão enfrentam o drama da gravidez prematura. Mas sabemos também que se a nossa voz não se proclama, continuaremos a ficar no silêncio dos inocentes e indiferentes, que por múltiplas razões preferem calar. A pílula do dia seguinte faz com que a vida muito mais do que violentada e usurpada seja eliminada imediatamante. É o mais contundente exemplo de Eugenética.


   Afirmar que um ser humano não é desejado é aceitar simplesmente o conforto de uma vida feita segundo os próprios desejos, sem levar em conta o direito dos outros. A pílula do dia seginte concorre com o "sem sentido" e vazio da vida, deixando ao seu passo uma cultura que cada vez mais se centra em um individualismo exarcebado. Vamos promover diálogos e confrontos que nos levem a uma visão mais ampla, vamos nos sustentar na nossa capacidade de evitar catástrofes e prever desastres, vamos responder com suficiente inteligência, para que não continuemos sendo portadores de uma insensibilidade visível e mortífera. Da pílula do dia seguinte só ficará uma realidade: aquela de se transformar na "pílula do último dia" de quem podia nascer e não foi simplesmente "desejado".

 

 

 

Dom José Antônio Peruzzo; Pe José Rafael Solano
Núcleo de Bioética CNBB, Regional Sul II

 

fonte:http://www.curiadiocesana.com.br/palavra_pastor_conteudo.php?id=23




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