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Papa Francisco
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29/07/2013
Conversa de 80 minutos do Papa com jornalistas

Papa diz que gays não devem ser julgados nem marginalizados
segunda-feira, 29 de julho de 2013 16:36 BRT


Papa Francisco desembarca do avião em Roma após viagem ao Brasil. 29/07/2013 REUTERS/Alessandro Bianchi
 

Por Philip Pullella

ROMA, 29 Jul (Reuters) - O papa Francisco disse que os homossexuais não devem ser julgados nem marginalizados mas integrados à sociedade, numa das mais conciliatórias declarações já feitas por qualquer pontífice sobre o tema da homossexualidade.

Em uma abrangente conversa de 80 minutos com jornalistas no avião que o levou de volta a Roma depois de uma semana no Brasil, Francisco disse também que não julgaria padres gays, um tema que provoca divisão entre os católicos.

Mas o pontífice argentino, de 76 anos, reiterou o ensinamento da Igreja de que atos homossexuais são pecaminosos.

O papa reforçou que o veto da Igreja Católica à ordenação de mulheres no clero é definitivo, mas que gostaria que elas assumissem papéis de maior liderança na administração e nas atividades pastorais.

E demonstrou um sentimento de dor pelos escândalos que atingem o banco do Vaticano, durante uma prolongada entrevista coletiva, sua primeira desde a eleição, em março, como substituto de Bento 16.

O tom direto ao responder tantas questões reforçou a vontade de Francisco de agir de forma diferente. Ele tem evitado muitas armadilhas do papado, defendido os pobres e abordado de cabeça erguida alguns dos maiores escândalos que a Igreja enfrenta.

Francisco disse que há santos na Santa Sé, mas também "aqueles que não são muito santos".

O encontro com jornalistas dentro do avião cobriu temas variados, desde a insistência do papa em reduzir sua segurança pessoal a sua vontade de abrir os cadeados do Vaticano para sair em caminhadas.

"QUEM SOU EU PARA JULGAR?"

Em resposta a uma pergunta sobre um suposto "lobby gay" no Vaticano, após uma série de escândalos sobre padres pedófilos e corrupção na administração da Santa Sé, Francisco disse: "Se uma pessoa é gay e busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?".

"O problema não é ter essa orientação. Precisamos ser irmãos. O problema é o lobby por essa orientação, ou lobbies de pessoas ambiciosas, lobbies políticos, lobbies maçônicos, tantos lobbies. Esse é o pior problema", afirmou.

"Você vê muita coisa escrita sobre o lobby gay. Ainda não vi ninguém no Vaticano com uma carteira de identidade se dizendo gay", brincou.

O papa defendeu os gays contra a discriminação, mas repetiu o catecismo universal da Igreja Católica, segundo o qual a orientação homossexual não é pecado, mas os atos homossexuais são.

"O catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser marginalizados por causa disso (orientação sexual), e sim que devem ser integrados à sociedade", afirmou o papa, em italiano, usando a palavra "gay" em vez de "homossexual", que era o termo adotado por outros pontífices.

Francisco também respondeu em parte a uma pergunta sobre o monsenhor Battista Ricca, que foi nomeado pelo papa para supervisionar o banco do Vaticano e que, segundo a mídia italiana, teve envolvimentos homossexuais quando era diplomata na América Latina.

O papa disse que "uma investigação rápida" concluiu que as acusações eram infundadas.

NÃO À ORDENAÇÃO DE MULHERES É DEFINITIVO

Sobre a questão da ordenação de mulheres, ele disse: "A Igreja falou e diz ‘não'... essa porta está fechada". Foi a primeira vez que Francisco falou publicamente sobre o tema.

"Não podemos limitar o papel das mulheres na Igreja ao de coroinha ou de presidente de uma entidade beneficente, deve haver mais", disse ele, respondendo a uma pergunta.

A Igreja Católica prega que não pode ordenar mulheres porque Jesus escolheu apenas homens como apóstolos. Defensores do sacerdócio feminino dizem que Jesus agiu de acordo com os costumes de seu tempo.

Muitos dentro da Igreja, mesmo aqueles que se opõem à ordenação de mulheres, dizem que elas devem ter papéis de liderança tanto na Igreja como na administração do Vaticano.

A longa entrevista no avião foi algo bastante incomum na história do papado moderno, tanto por sua franqueza como pela amplitude.

Ao contrário de seu antecessor, Bento 16, que sabia de antemão as poucas perguntas que os jornalistas seriam autorizados a fazer, Francisco, o primeiro papa não-europeu em 1.300 anos, não impôs restrições ao responder 21 perguntas.

Ele disse que a viagem de uma semana ao Brasil o deixou muito cansado, mas "me fez muito bem espiritualmente".

O papa falou das reformas que iniciou no Vaticano, inclusive no banco do Vaticano, que é alvo de várias investigações sobre lavagem de dinheiro.

Francisco disse que o banco deve tornar-se "honesto e transparente", e que vai ouvir os conselhos de uma comissão criada por ele sobre se a instituição pode ser reformada ou deve ser fechada completamente.

O papa, que escolheu andar em um papamóvel aberto e em um carro simples da Fiat durante a viagem ao Brasil, disse que não se preocupa com a segurança reduzida que escolheu em comparação com seus antecessores.

"A segurança está em confiar nas pessoas. É verdade que há sempre o perigo de que uma pessoa louca possa tentar fazer alguma coisa, mas também há o Senhor", disse ele, acrescentando que seria uma loucura maior ficar longe das pessoas.

O pontífice argentino desembarcou nesta segunda-feira em Roma após uma triunfal visita de uma semana ao Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, que culminou com uma celebração que reuniu mais de 3 milhões de pessoas na praia de Copacabana, segundo estimativa da prefeitura do Rio de Janeiro.

 

fonte:http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE96S01920130729?pageNumber=2&virtualBrandChannel=0&sp=true




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