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14/10/2021
Abusos na França: começa o assalto à Confissão

Então, a Igreja da França cederá às ameaças e reivindicações de Macron, depois de milhares de sacerdotes morreram por terem rejeitado as pretensões de Robespierre?

Abusos na França: começa o assalto à Confissão

13-10-2021

Os sacerdotes católicos na França «devem referir as acusações de abuso ouvidas em Confissão». É esta a exigência absoluta do Ministro do Interior da República Francesa ao Presidente da Conferência Episcopal durante o encontro, de ontem à tarde, no Ministério do Interior. Para o Ministro do Governo Macron, nada pode estar acima das leis da República, nem sequer a ordem de Jesus do segredo confessional, como o havia feito e reiterado o Presidente dos Bispos Católicos.

Segundo as interpretações jornalísticas, vazadas pelo Governo, os sacerdotes católicos devem referir à polícia todas as acusações de abusos sexuais de menores, mesmo que tomem conhecimento delas no segredo da Confissão. A França está abalada com a publicação, na semana passada, de um relatório independente sobre os abusos na Igreja de 330.000 menores e adultos vulneráveis ​​nos últimos 70 anos, sobre o qual permanecem muitas dúvidas. A Igreja Católica francesa expressou “vergonha” depois da publicação do relatório.   

O Presidente dos Bispos franceses, Eric de Moulins-Beaufort, que inicialmente expressara «vergonha e horror» pelo relatório, reiterou, porém, que não poderia aceitar uma das recomendações da Comissão Independente de investigação nomeada pela própria Conferência Episcopal, com a qual se pedia aos sacerdotes que informassem a polícia de todos os casos de abusos sobre crianças de que tenham conhecimento durante o sacramento da Confissão.    

Mons. Moulins-Beaufort, líder da Conferência Episcopal da França, dissera, à Franceinfo, a 6 de Outubro, que «o segredo da Confissão é um requisito e continuará a ser um requisito – num certo sentido, está acima das leis da República. Cria um espaço livre para falar diante de Deus, é-nos imposto».         

Na sequência desta simples e sincera afirmação, o Ministro do Interior decidiu convocar, ontem, o Presidente da Igreja Católica para uma longa reunião em que esclareceu que «o segredo profissional – incluindo o do confessionário católico – não se aplica às revelações de casos potencialmente criminais de violência sexual contra crianças e que os sacerdotes são obrigados a denunciar à polícia e à justiça».                

Segredo profissional? A vocação sacerdotal é uma profissão? O mandamento evangélico da Confissão seria um segredo profissional entre o sacerdote e o penitente? Não, faltam aqui os fundamentos da compreensão da religião católica e do ditame evangélico. A escolha de solicitar e aceitar da Comissão de peritos uma lista de recomendações, inclusive doutrinárias, está além de qualquer lógica e de qualquer mandato para investigar casos de abusos.       

O Presidente da Comissão Independente sobre Abusos Sexuais na Igreja (CIASE), Jean-Marc Sauvé, reiterou a sua recomendação sobre a revogação do sigilo confessional na segunda-feira, 11 de Outubro, numa entrevista a Famille Chretienne, dizendo: «A obrigação de proteger a vida das pessoas é, do nosso ponto de vista, superior à obrigação do segredo da Confissão, que visa, em particular, proteger a reputação do penitente».

Quer-se atacar a Igreja Católica e a sua doutrina pela culpa e com a desculpa de uma nunca demonstrada e, até agora, hipotética massa de sacerdotes abusadores? Sim. Imediatamente após o encontro com o Presidente dos Bispos franceses, o Ministro Darmanin foi à Assembleia Nacional, para contar como persuadira os bispos católicos e a Igreja da França, e foi aplaudido pelos parlamentares presentes quando disse: «Disse-lhe o que digo a todas as religiões: não há nenhuma lei superior às leis da Assembleia Nacional e do Senado... A República Francesa respeita todas as religiões quando respeitam a República e as leis da República».      

Antes da convocatória ao Ministério do Interior, a Igreja Católica e a doutrina do segredo confessional foram severamente atacadas pelo Ministro da Justiça, Eric Dupond-Moretti, numa entrevista, de 8 de Outubro, na qual dizia que «os eclesiásticos católicos têm uma obrigação imperativa, quando tiverem conhecimento de actos de pedofilia durante a Confissão, de avisar as autoridades para que ponham fim a esses actos. Se um sacerdote recebe, no âmbito da Confissão, seja de uma vítima ou de um executor, o conhecimento da existência de actos pedófilos e de abusos, tem a obrigação imperiosa de denunciar e, caso não o faça, pode ser condenado». 

O comunicado da Conferência Episcopal Francesa, divulgado ontem à noite, após o encontro da tarde entre o Presidente dos Bispos e o Ministro do Interior, deixa-nos perplexos: «Mons. Éric de Moulins-Beaufort pôde discutir com M. Gérald Darmanin a formulação desajeitada da sua resposta, na Franceinfo, na manhã de quarta-feira [inviolabilidade do segredo da Confissão]. A tarefa do Estado é organizar a vida social e regular a ordem pública. Para nós, cristãos, a fé apela à consciência de cada pessoa, chama à procura do bem sem tréguas, o que não pode ser feito sem respeitar as leis do País. Portanto, é necessário trabalhar para reconciliar a natureza da Confissão com a necessidade de proteger as crianças. Já existe uma estreita cooperação com as autoridades francesas. Este é o significado, por exemplo, dos protocolos que já vinculam 17 dioceses da França com as procuradorias, para facilitar e acelerar o tratamento das sinalizações de qualquer acto denunciado. Os bispos da França, reunidos em assembleia plenária, de 3 a 8 de Novembro de 2021, trabalharão juntos, com base no relatório da CIASE e nas suas 45 recomendações, sobre as medidas e as reformas a serem perseguidas e empreendidas, em estreita comunhão com a Igreja universal». 

O que é “desajeitado” em defender o segredo confessional e a ordem de Jesus? Então, a Igreja da França cederá às ameaças e reivindicações de Macron, depois de milhares de sacerdotes morreram por terem rejeitado as pretensões de Robespierre?               

Luca Volontè

Através de La Nuova Bussola Quotidiana    

Fonte:https://www.diesirae.pt/2021/10/abusos-na-franca-comeca-o-assalto.html?




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